
A possível criação pelos Estados Unidos de uma tarifa adicional de 12,5% sobre mercadorias de 60 nações, incluindo as do Brasil, não deve gerar riscos diretos às empresas caxienses, já que se aplicaria a produtos fabricados com trabalho forçado. Mas, indiretamente, sim, especialmente a longo prazo. A avaliação é do coordenador da Diretoria de Economia da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul, Tarciano Melo Cardoso.
Ele lembra que já há uma taxa de 10% imposta e outra de 25% para o aço e o alumínio que deve ser validada até julho. Somando tudo, daria quase 50% (mesmo percentual anunciado no ano passado pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e que acabou reduzido).
— Obviamente, isso inibiria um pouco as nossas exportações para os Estados Unidos. Geralmente, quando você tem uma queda de exportações, você tem um preço menor no cenário doméstico, que aumenta o volume de produtos e o risco consequente de empregos, risco de redução de PIB, enfim, são efeitos colaterais de uma retração em vendas destes negócios. Mas a gente enxerga mais como um efeito indireto do que propriamente direto às empresas — diz Cardoso.
Além disso, segundo o coordenador da Diretoria de Economia da CIC, outro ponto importante é que normalmente os produtos que saem de Caxias são para cadeias automotivas, onde, para desenvolver um fornecedor novo e validá-lo, há um ciclo mais alongado. Assim, a adoção de uma tarifa sobre um produto originário de Caxias para o setor automotivo, dependendo do tipo de item, acaba tendo a continuidade da exportação — pela dependência que tem de desenvolvimento de fornecedor e de validação deles.
Pix está consolidado
Sobre as críticas do governo de Donald Trump ao Pix e a possibilidade de fim do sistema, Cardoso não vê como diante da difusão e consolidação do serviço. A questão do originador e do fiscalizador terem a mesma origem é algo que pode ser ajustado, segundo ele. É mais fácil adequar elementos que geram dúvidas do que sair do mercado.
E apesar da pressão das operadoras de cartões de crédito e débito, Cardoso não vê o Pix como uma concorrência direta.
— O Pix teve uma substituição em parte dos cartões, mas ele também trouxe muita gente para dentro do setor financeiro. Obviamente, quem entra no setor financeiro tem uma conta em banco e um dos primeiros produtos que é vendido para essa pessoa é o cartão de crédito ou de débito. Eu acho que não é um um risco a perda do Pix — acrescenta.


