
Um ponto importante a ser considerado envolvendo o fim da escala de trabalho 6x1, e que talvez não esteja ganhando a devida atenção, é o impacto no consumo de energia. Levantamento da NEO Estech, plataforma brasileira de inteligência de dados para monitoramento e gestão de equipamentos especializada em eficiência energética no varejo alimentar, mostra que os riscos de perdas de mercadorias por falhas energéticas podem chegar a R$ 151,8 milhões por ano, considerando a redução da jornada.
No Rio Grande do Sul, onde a margem líquida do faturamento equivale a mais de R$ 1 bilhão (dado referente aos últimos 12 meses), o impacto adicional das perdas de mercadoria pode chegar a 7%, ou seja, R$ 75,9 milhões perdidos anualmente. Em Caxias, a perda estimada é de R$ 8.340.200 milhões/ano.
Segundo Sami Diba, CEO do NEO Estech, o fechamento prolongado dos estabelecimento pode criar janelas maiores sem presença humana direta sobre sistemas como refrigeração, climatização e geradores de energia, e aí está o risco de falhas e perdas de mercadorias.
— Hoje o tempo entre uma loja fechada e aberta é de 10 horas, mais ou menos. Com a redução da jornada esse tempo vai passar de pelo menos 14 horas a até 34 horas. Ela estará fechada, mas os equipamentos não estarão parados. A loja continua a operar de alguma forma. Se, por exemplo, acabou a energia, o gerador tem que entrar. Como você sabe se esse gerador ligou? Como você sabe se tem combustível ou não para esse gerador? Se isso não acontece, a tua refrigeração inteira vai parar e você tem uma perda enorme. Só 10% dos supermercados no Brasil tem automação de ar-condicionado — explica.
Solução
Com a possível implementação de uma nova escala, com uma jornada menor, os empresários precisarão fazer escolhas, que podem ser fechar aos domingos ou mais cedo. Permanecendo mais horas com as portas fechadas, será preciso pensar em alternativas para evitar as perdas apontadas pelo levantamento. Não se trata de ser contra ou a favor mudanças na jornada de trabalho, mas em pensar em formas de prevenir prejuízos.
— Automação e digitalização alinhados a um plano de governança para atender isso serão as soluções que vão, a médio prazo, fazer com que você tenha uma antecipação de falhas, que você consiga visualizar o que ninguém conseguiria visualizar, por exemplo, durante um período em que a loja está fechada. Existe uma junção entre digitalização e automação para conseguir não ter esses prejuízos — sugere Diba.
Quem entrou no estudo
O estudo considera supermercados que consomem cerca de 100 mil kWh/mês e atacarejos que consomem 250 mil kWh/mês. A empresa usou dados próprios e da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) para elaborar o levantamento.
A pedido da coluna, a Neo Estech listou a estimativa de perdas em outras cidades da Serra: Bento Gonçalves (R$ 2.049.520,00), Farroupilha (R$ 1.245.420,00), Flores da Cunha (R$ 684.420,00) e Gramado (R$ 635.800,00).



