
O vazamento, na semana passada, de um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência da República, pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, não passou batido na reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul desta segunda-feira (18).
Durante o discurso que antecedeu a palestra do dia (alusiva aos 100 anos na Livraria Rossi), o presidente da entidade, Ubiratã Rezler, fez duras críticas ao episódio envolvendo o dono do Banco Master — Vorcaro operou esquema de fraude que gerou um rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito.
Bira disse que as recentes notícias envolvendo os dois "ampliam um ambiente já saturado de suspeitas, relações obscuras e conexões que exigem esclarecimentos públicos rigorosos" e que "o Brasil vive uma fadiga moral".
— Quem pretende ocupar os mais altos cargos da República precisa compreender que a exigência por transparência é obrigação pública. O país não suporta mais a naturalização de relações promíscuas entre política, poder econômico e interesses eleitorais. E, talvez, o mais grave seja perceber que boa parte da população já começa a reagir com anestesia diante de fatos que deveriam provocar indignação coletiva — acrescentou.
No áudio revelado pelo site Intercept na semana passada e que sacudiu o mercado, Flávio pediu dinheiro ao dono do Banco Master para financiar o filme em produção inspirado na vida do pai, Jair Bolsonaro. Seriam US$ 24 milhões, segundo a reportagem, sendo que US$ 10,6 milhões foram efetivamente transferidos entre fevereiro e maio de 2025.
Gesto populista
Bira também não poupou o governo federal. O fim da "taxa das blusinhas", assunto da semana passada, também foi criticado pelo presidente da CIC. Pode ser um benefício ao consumidor, mas, para os empresários, escancara uma desigualdade tributária. Não é justo, para Bira, aliviar a tributação sobre plataformas estrangeiras que não geram no país o mesmo volume de empregos, não sustentam a indústria nacional e não enfrentam as mesmas exigências impostas ao empreendedor brasileiro.
— É uma medida com evidente apelo eleitoral. Um gesto populista travestido de política econômica — destacou.
O presidente da CIC disse ainda que o "consumo imediato não pode ser colocado acima da sobrevivência das empresas nacionais e que não existe desenvolvimento sustentável em um país que fragiliza quem investe, produz e emprega dentro das próprias fronteiras".
— Não faz sentido exigir responsabilidade fiscal das empresas e, ao mesmo tempo, criar vantagens competitivas artificiais para produtos importados em detrimento da produção nacional — completou.
Galeria de ex-presidentes

A trajetória de Celestino Loro na CIC de Caxias do Sul está agora eternizada na Galeria de Presidentes Executivos da entidade. Antes da reunião-almoço desta segunda-feira, foi inaugurada a foto de Celestino, que presidiu a CIC entre 2022 e 2025.



