A Agrale alcançou no mês de março a marca de 80 mil chassis para os micro-ônibus do projeto Volare. São 28 anos de parceria com a Marcopolo e, se o volume fosse dividido por anos, seriam quase 3 mil chassis anuais desde o início do acordo, em 1998.
O número expressivo coroa uma ideia até então inédita, desenvolvida especificamente para o encarroçamento de micros. Ou seja, nunca se tratou de uma adaptação de chassi de caminhão. Com o produto da Agrale, o Volare nasceu já integrado.
— Esse é um feito na relação que temos com nosso parceiro Volare de um produto que é ícone do Brasil — celebra Hugo Zattera, diretor-presidente da Agrale.
Os chassis Agrale para encarroçamento são fornecidos em diversas versões com soluções de oito a 12 toneladas de PBT (peso bruto total), com motorização dianteira ou traseira, diesel ou gás (GNV ou biometano), piso convencional ou baixo e tração 4x2 e 4x4.

Além dos 80 mil chassis para a Volare, a Agrale comemora as boas vendas da linha Marruá. Nesta semana, a empresa embarcou 24 unidades para a Malásia de um pedido total de 208. Cerca de 70 já foram enviados para uso pelo Exército do país asiático.
— Estamos em um momento muito interessante na produção de um produto que é único, que é nossa linha de veículos Marruá, que são 4x4 fora de estrada. Temos visto manifestações de uma demanda importante no Exterior. É uma linha realmente única, específica no mundo, um veículo que é muito versátil. É usado tanto por indústria de defesa como entidades que cuidam do meio ambiente, nos desastres naturais. Ele tem versatilidades importantes e tem se tornado um veículo único praticamente no mundo na sua classe. E tem nos permitido também um crescimento de faturamento grande — destaca Zattera.
A demanda, inclusive, tem gerado a abertura de vagas de emprego. A Agrale realizou feirões recentemente e prevê mais mutirões para o preenchimento de oportunidades.
Por dentro da fábrica
Toda a linha de veículos comerciais da Agrale é fabricada na unidade 2, localizada no Distrito Industrial. Um deles é o Marruá, em diferentes versões, incluindo o MO, modelo destinado a atender o Caminho da Escola, programa do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para renovação e ampliação de frotas escolares no Brasil.
Do edital do ano passado do Caminho da Escola, a Agrale ainda tem 20 veículos para entregar. A participação no programa representa uma importante fatia do faturamento e orgulha a empresa por cumprir, também, um papel social.
A coluna visitou a fábrica 2 nesta semana e viu, além do Marruá, a produção da linha de chassis para micro-ônibus de seis a 11 toneladas, os caminhões da Agrale de oito a 11 toneladas e os chassis para ônibus médios de 12 a 17 toneladas. A unidade produz, de 25 a 30 veículos por dia.
A planta também abriga o Centro de Formação Profissional Francisco Stedile, em parceria com o Senai, e a Agrale Montadora, onde a empresa chinesa Foton fabrica caminhões há um ano. Na semana passada, chegou ao veículo de número 1 mil.
Na matriz
A unidade 1, no bairro São Ciro, tem outro perfil de produção:
— Nossa matriz é uma fábrica que tem a característica de produção de componentes. A Agrale é muito verticalizada, então, a grande maioria das peças que usamos nos nossos produtos é produzida na unidade 1. Nessa mesma unidade, temos nossa linha de produção de motores estacionários e os tratores Agrale, nosso início de tudo, nosso DNA agrícola desde a fundação — acrescenta Saimon Daian Debastiani, diretor industrial da Agrale.
A unidade 3 da Agrale, no bairro São Cristóvão, fabrica componentes de fibra e plástico para os produtos da empresa, além de conjuntos soldados. A carroceria do Marruá, por exemplo, é produzida nessa unidade.
No ES e na Argentina
Além das três fábricas em Caxias do Sul, a Agrale tem unidades em São Mateus, no Espírito Santo, para fornecimento de chassis para micro-ônibus da Marcopolo, e em Mercedes, na província de Buenos Aires, na Argentina, onde são montados chassis para ônibus, caminhões e tratores para o mercado argentino.
Tecnologias renováveis
A área veicular representa cerca de 80% da produção da Agrale. O restante fica com tratores, peças de reposição e prestação de serviços. Nos últimos anos, a empresa está focada em tecnologias de combustíveis renováveis. No ano passado entregou cinco ônibus 100% elétricos para a implantação do TramBus, em Buenos Aires.
— Estamos com várias novidades no mercado sendo divulgadas de produtos movidos a gás natural ou biometano tanto na linha de chassis quanto na linha de caminhões que está já começando a ter um movimento no mercado bastante interessante — complementa Debastiani.





