
A sobremesa dos almoços de final de semana da família de Valquiria de Marco sempre ficou sob responsabilidade dela. E ela não se importava. Gostava de preparar os doces e ficava contente em receber os elogios. Mas nunca havia pensado em transformar o hobby em negócio até conhecer Roger Righi Coelho, em 2012. O amigo viu potencial nas habilidades para confeitaria de Valquiria e a convidou para uma viagem a França para que ela conhecesse os tradicionais macarons.
— Quando eu vi aquele colorido, aquele doce bonito, elegante, charmoso, me chamou muito a atenção — conta.
Os dois voltaram para Bento Gonçalves e resolveram tentar reproduzir a iguaria. A primeira leva não deu certo, mas Valquiria não desistiu.
— Levei um dia inteiro e ficou uma porcaria. Nossa, era muito difícil, eram muitos detalhes. Eu sofri, mas disse: "Eu sou teimosa e vou ser mais teimosa ainda" — lembra.
Durante um ano e meio, Valquiria fez testes até acertar a receita. Os dois deram amostras para amigos e colegas provarem e logo começaram a surgir os primeiros pedidos. Eram poucas quantidades, até chegar um pedido de 4,5 mil macarons de uma indústria moveleira que queria presentear lojistas participantes da convenção de 10 anos da empresa.
— Pedi uma semana de dispensa do trabalho — recorda Valquiria, que era bancária na época.
Como o retorno foi muito positivo, Roger e ela perceberam que era hora de ter um espaço para a venda dos doces. Em 2014, abriram a Le Petit Macarons, em Bento. Não demorou muito para a expansão. Em 2015, inauguraram um quiosque no shopping Iguatemi, em Porto Alegre. A primeira franquia foi inaugurada em 2017, em Florianópolis.
Hoje, são 28 lojas em sete estados brasileiros e uma capacidade de produção diária de 15 mil macarons. É possível estocar cerca de 250 mil macarons na estrutura de Bento. Além disso, a Le Petit tem um centro de distribuição na cidade de São Paulo que também comporta um estoque de 250 mil doces. Em 11 anos de empresa, a Le Petit atingiu a incrível marca de 10,5 milhões de macarons vendidos.
— Quando a gente olha para trás e vê onde começou, no meu apartamento, fazendo de 14 em 14 macarons e hoje produzindo 12 mil, é algo inacreditável — surpreende-se.

Novo modelo de negócio
Além das franquias, com diferentes modelos e valores de investimento, a Le Petit trabalha desde outubro com uma nova modalidade de negócio, a vending machine. São máquinas sem necessidade de funcionário para venda em locais com pouco espaço, como hospitais e universidades.
— Nossa primeira máquina está no shopping Tucuruvi, em São Paulo. Nos relatórios, tem algo bem interessante de analisar. A compra acontece, muitas vezes, fora do horário de funcionamento do shopping. É uma venda que acontece praticamente 24 horas por dia — conta.
A Le Petit prevê a entrega de mais duas máquinas ainda neste ano, em São Paulo. O planejamento é chegar ao final de 2026 com 30 máquinas. A empresa está também negociando a abertura de novas franquias em Sorocaba e no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre.
— Muitos não acreditaram, mas a gente tinha esse sonho, a gente acreditou. Foi muito trabalhoso e é até hoje, no sentido de que é um doce não muito fácil de ser feito. Dias chuvosos interferem na produção, a umidade interfere, qualquer variação na matéria-prima interfere. A gente se doou durante muitos anos e até hoje é assim. A gente ama o que faz, sabemos que tem potencial, queremos entregar experiência, algo diferente, algo bonito — frisa Valquiria, que vive este 19 de novembro, Dia do Empreendedorismo Feminino, com motivos de sobra para comemorar.



