
Cresceu 164% o percentual de migrantes com carteira assinada em Caxias do Sul nos últimos três anos. O número de empregos formais mais que dobrou de 2022 até agora. Eram 3.179 naquele ano. Já julho deste ano fechou com 8.380, conforme dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). No final de 2024, eram 7.200.
A maioria dos migrantes empregados formalmente é da Venezuela: são 6.366 — o triplo de 2022, quando eram 1.994. O segundo maior volume é de haitianos: 683. Porém, o número cresceu pouco em relação a 2022, quando eram 604.
O que chama a atenção é o crescimento de cubanos com carteira assinada em Caxias do Sul. O total não é tão expressivo, mas o curioso é que aumentou oito vezes: de 31 em 2022 passou para 287 neste ano. Do final de 2024 até julho de 2025 foram 103 vínculos a mais.
Os dados, compilados pela Fundação Gaúcha do Trabalho e Assistência Social (FGTAS) a pedido da colunista, mostram ainda 6.476 admissões de migrantes nos sete primeiros meses do ano e 5.296 desligamentos, ou seja, um saldo positivo de 1.180 vagas entre trabalhadores de outros países.
Ao ouvir um sotaque espanhol no supermercado ou em alguma loja, experimente perguntar de onde aquela pessoa é. A resposta será, certamente, na maioria das vezes, Venezuela e Cuba, o que reforça os dados do Caged.
Safristas
As contratações e os desligamentos de argentinos também são destaques do relatório. Foram 1.414 admissões em janeiro e 1.294 demissões registradas até julho. A safra da uva explica os números. Muitos argentinos são contratados para o período e desligados após o fim da colheita.
A quantidade não era tão alta em 2022 e 2023, por exemplo. Naquele anos, eram 105 e 196 argentinos empregados formalmente em Caxias do Sul, respectivamente. A mudança ocorreu justamente após o caso de trabalho análogo à escravidão registrado em 2023 na colheita da uva na Serra.
Evolução
- Venezuelanos: 1.994 (em 2022) e 6.336 (em 2025)
- Haitianos: 604 (em 2022) e 683 (em 2025)
- Argentinos: 105 (em 2022) e 440 (em 2025)
- Uruguaios: 123 (em 2022) e 138 (em 2025)
- Senegaleses: 123 (em 2022) e 107 (em 2025)
- Cubanos: 31 (em 2022) e 287 (em 2025)
- Colombianos: 37 (em 2022) e 76 (em 2025)
- Paraguaios: 34 (em 2022) e 58 (em 2025)
- Peruanos: 20 (em 2022) e 37 (em 2025)
- Italianos: 13 (em 2022) e 16 (em 2025)



