
Com bom humor característico, o empresário Nelson Lisot contou à plateia que lotou o salão da CIC de Caxias do Sul nesta segunda-feira (21), durante reunião-almoço, como construiu uma empresa de sucesso, a Cadence, e faturou R$ 1 bilhão.
Em 1999, em uma viagem aos Estados Unidos, conheceu máquinas de fazer pão e comprou duas. O equipamento fez sucesso entre os conhecidos e ele importou, logo em seguida, um lote de 300. Todo mundo queria ter uma.
No mesmo ano, comprou um contêiner com 1,2 mil máquinas da China, por um preço menor, mesmo sem conhecer o fornecedor. Colocou a sua marca nos produtos e passou a vender no Brasil.
O negócio foi crescendo e no ano 2000 importou mais três contêineres da China e fez vendas não apenas para o Rio Grande do Sul, mas para Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro. A máquina era usada em mercados por fabricantes de farinha de trigo para demonstração e os clientes começaram a se interessar pelo equipamento.
Em 2005, a sede mudou-se para Itajaí, em função da proximidade com o porto marítimo, mas com a enchente de 2008 e os prejuízos, a unidade foi transferida para Navegantes.
A empresa sempre importou os produtos prontos e ampliou a linha de produtos com cafeteiras, sanduicheiras e chaleiras elétricas, entre outros. Somente fabricou, durante um período, ferros de passar. Em 2014, a empresa foi vendida para a Jarden, multinacional que possui marcas como a Oster Brasil.
— Se vocês querem fazer algo, por menor que seja, façam. Tem gente que produz fósforo, que é pequeno. Fiquem atentos às oportunidades — ensinou.
Hoje, Lisot constrói pavilhões para terceiros em parceria com os filhos.
"Negociar com inteligência, diplomacia e visão de futuro"
Antes de Nelson Lisot subir ao palco para contar sua história de empreendedorismo, o presidente da CIC Caxias, Celestino Loro, fez um apelo ao governo brasileiro para negociar com bom senso e responsabilidade, já que o momento é crítico nas relações comerciais internacionais devido ao tarifaço de Donald Trump.
Conforme Celestino, com a taxação, Caxias poderá ver 25% de suas exportações comprometidas. Ele reclamou que a indústria caxiense está à mercê de uma diplomacia ineficaz, travada por disputas político-partidárias que ignoram os interesses reais do país. Falta, segundo ele, uma ação concreta por parte do governo.
— A sociedade produtiva, os empresários, os trabalhadores e a população em geral não podem acompanhar calados o país financiar a sua própria destruição em nome de vaidades políticas. A CIC clama por maturidade, por liderança e por uma postura que coloque o Brasil no lugar que merece: o de um país capaz de negociar com inteligência, diplomacia e visão de futuro — discursou.






