
Algumas histórias são feitas de encontros que conduzem a novas escolhas. A trajetória de Gabriela Esteves Lampert passa pela arquitetura, pelo empreendedorismo, pela família e pelo envolvimento com diferentes entidades de Caxias do Sul. A filha da psicanalista Rosita Esteves e do publicitário Toni Lampert, cresceu entre referências que ajudaram a formar seu jeito de olhar o mundo: da mãe, a iniciativa e a determinação; do pai, a criatividade e a facilidade de se conectar com as pessoas. Hoje, aos 36 anos, à frente da Associação Sala de Arquitetos e dos negócios que construiu ao lado da sócia, Camila Sirtori, Gabriela olha para sua caminhada como uma soma de experiências que se complementam. Nesta narrativa em primeira pessoa, ela revisita memórias da infância, a escolha profissional, a maternidade, que despertou o desejo de empreender, sua passagem na Festa da Uva e o compromisso que mantém com o trabalho e com a cidade.
“Quando olho para a minha história, percebo que ela nunca foi feita de um único caminho. Nasci em Caxias do Sul e cresci em uma família muito presente, ao lado do meu irmão, Juliano. Sou filha da Rosita Esteves e do Toni Lampert, duas pessoas que, cada uma à sua maneira, deixaram marcas profundas em quem me tornei.
Talvez por isso eu tenha aprendido cedo que a vida é feita de movimento. A dança, que conheci aos quatro anos, foi uma dessas primeiras experiências. Ela me ensinou sobre disciplina, presença, dedicação e também sobre a beleza de fazer parte de algo maior.
Ainda no Ensino Médio, tive meu primeiro contato com a gestão, quando cursei o técnico em Administração de Empresas. Em 2007, entrei na Arquitetura e Urbanismo da UCS. Durante a faculdade, fiz questão de conhecer diferentes possibilidades dentro da profissão. Queria entender a arquitetura para além do desenho, perceber suas conexões e descobrir onde poderia construir a minha própria maneira de atuar com legitimidade.
Aos 21 anos, fui para Londres fazer um intercâmbio de inglês. Mais do que aprender uma língua, foi uma oportunidade de conviver com outras culturas e ampliar minha visão de mundo. Voltei diferente. Dois anos depois, conquistei a graduação e tive meu trabalho de conclusão reconhecido pelo Prêmio Vocação para o Sucesso, da CIC Caxias. Em 2022, senti novamente a necessidade de estudar e me especializei em Segurança Contra Incêndio pela Unisinos.
Mas a minha formação não aconteceu apenas dentro da universidade. Muito do que sou profissionalmente também nasceu da troca com pessoas e da participação em entidades.
Ingressei na Liga Feminina de Combate ao Câncer aos 17 anos, como voluntária, depois, vieram a CIC e a Microempa Jovens. Com o tempo, assumi cargos de coordenação. Essas experiências me ensinaram o valor da coletividade, da responsabilidade e de colocar conhecimento e energia a serviço de uma causa.
A Festa da Uva também ocupa um espaço muito afetivo na minha memória. Em 2014, fui Embaixatriz. Até então, eu conhecia aqueles desfiles como plateia. Desde criança, acompanhava tudo da janela de casa, na Rua Sinimbu. De repente, estava lá, fazendo parte daquela história que tantas vezes tinha visto passar diante dos meus olhos. Foi uma emoção difícil de explicar.
Minha vida profissional ganhou uma nova dimensão quando me tornei mãe. A chegada da minha primeira filha Cecília, despertou em mim um desejo que até então estava adormecido: o de empreender. Em 2015, iniciei meu próprio escritório. Ao lado da Camila, comecei a construir a Verum Arquitetura e, depois, a CO2 Verum.
Empreender é um grande aprendizado. É preciso ter coragem para começar e humildade para reconhecer que sempre existe algo novo para aprender. Foram anos de crescimento, desafios, decisões e muito trabalho. E, olhando para trás, tenho orgulho de perceber tudo o que conseguimos construir.

Desde 2015, integro a Associação Sala de Arquitetos e, ao longo dos anos, fui assumindo uma presença cada vez mais ativa. Hoje, estar na presidência da entidade representa uma responsabilidade enorme e, ao mesmo tempo, uma oportunidade de contribuir. Tanto é que no dia 22 realizaremos a 2ª edição do Vozes da Arquitetura
Também sou vice-presidente da SEAAQ, fui conselheira do COMPAHC por quatro anos e, em 2024, participei do Grupo de Trabalho de revisão do Código Municipal de Edificações. São frentes diferentes, mas todas têm em comum o desejo de colaborar para o avanço da cidade.
E existe uma parte da minha história que está presente em todas as outras: a família.
Divido a vida há quase duas décadas com Felipe Luis De Marchi. Ele é meu parceiro, meu apoio e quem está ao meu lado em cada nova etapa. Juntos, somos pais da Cecília, de 12 anos, e da Alícia, de nove. Ser mãe transformou a maneira como enxergo os dias e as nossas prioridades afetivas.
Talvez essa seja a maior compreensão que o tempo me trouxe: eu não preciso escolher entre os diferentes caminhos que a vida me apresenta. Posso edificar pontes entre eles.
Entre projetos, família, profissão e participação na cidade, sigo fazendo aquilo que sempre me moveu: aprender, criar, participar e construir. E, se existe algo que ainda quero preservar para os próximos anos, é justamente essa disposição para continuar começando.”


