
Quem sabe dizer o que se passa no íntimo de uma mulher? A provocação de William Shakespeare sobre a filha do rei, na peça Cimbelino (1609) serve de fio condutor para ilustrar a trajetória de Carolina Ramos Sehbe, empresária e comunicadora que traduziu a própria vivência em plataforma de diálogo sobre o universo feminino.
– A vida é uma construção – afirma ao refletir sobre como experiências pessoais e profissionais se entrelaçam até ganhar um sentido maior.
Caxiense, Carolina cresceu sob a influência de uma família marcada por mulheres de personalidade forte e pensamento progressista, referências que ajudaram a moldar sua postura crítica diante de padrões sociais.
– Tenho em minha família histórias de mulheres inspiradoras que pensavam à frente do seu tempo – destaca. Filha de Alfredo Casagrande Sehbe e Clelia Vitória Ramos Sehbe, desenvolveu desde cedo um olhar independente, pouco alinhado a rótulos e expectativas pré-definidas.
Graduada em Design de Moda pela Universidade de Caxias do Sul e com especialização em Marketing pela ESPM, iniciou sua trajetória conectada ao universo estético, mas rapidamente ampliou seu campo de atuação. Há 15 anos radicada no Rio de Janeiro, consolidou-se no empreendedorismo ao integrar moda, comunicação e bem-estar em narrativa.
– Nunca fui muito ligada a estereótipos pré-estabelecidos, e isso me motiva nessa trajetória – pontua.
O ponto de virada em sua carreira ocorreu quando percebeu que poderia ir além da imagem e alcançar dimensões mais profundas da experiência feminina.
– Acredito que tudo que aprendemos se comunica e, em algum momento, se transforma em propósito – diz Carolina.
A partir disso, passou a direcionar seu trabalho para temas como autoconhecimento, saúde íntima e liberdade corporal.
– A informação precisa amplia o olhar e o entendimento que resultam em autoconfiança para escolhas e transformações – complementa.
Esse posicionamento se materializa na Vivelavu, endereço em Ipanema, que se tornou referência ao propor atenção sobre o cuidado íntimo. A iniciativa funciona como ambiente de acolhimento e escuta.
– A Vivelavu vai além do consumo consciente, ela melhora de fato a qualidade de vida das mulheres – explica.
Nesse contato diário com quem transita por lá, Carolina acompanha relatos que evidenciam essa mudança:
– São histórias únicas, emocionantes e motivadoras. Amo essa nova mulher que se constrói mais livre, sem vergonha da própria jornada.
A proposta de levar o debate à cena também se estende ao programa Climão, idealizado por Jal Guerreiro, na FashionTV, que aborda temas sensíveis com leveza e responsabilidade.
– O nome traz essa dualidade constrangedora, mas também que aquece, que é gostosa – comenta.
Ao falar sobre os desafios femininos, Carolina é direta:
– Estamos sempre precisando provar nosso valor e competência. Uma carinha bonita e se vestir bem não é sinônimo de futilidade, mas de se amar e se querer bem.
Na avaliação dela, há um movimento geracional importante em curso.
– Não estamos nos expondo, estamos naturalizando – ao comentar a abertura das novas gerações para temas antes considerados tabus. – Esse movimento precisa ser feito com consciência, para não reforçar os mesmos erros do passado.
Outro ponto central em sua atuação é o novo olhar sobre o envelhecimento feminino:
– Sou entusiasta desse assunto.
Os avanços da ciência e do autocuidado têm permitido uma nova relação com o tempo:
– Estamos vivendo uma época em que é possível envelhecer com mais saúde, consciência e qualidade de vida.
Apesar da agenda intensa, Carolina mantém uma visão clara sobre o que realmente importa.
– O lado bom da vida são as coisas simples – resume.
Relações afetivas, saúde e tempo de qualidade aparecem como pilares fundamentais. Reconhece que sua trajetória ainda está em construção.
– Tenho muito a fazer – reforça, ao apontar a maternidade como seu maior desafio.
– Estar presente, instruir e acompanhar minha filha, Maria Antônia, é o que mais exige de mim hoje.
Ao sintetizar sua visão de mundo, Carolina deixa um recado direto e sem rodeios.
– Não tenha medo de tentar ser feliz. A felicidade não vai bater à sua porta dizendo que chegou. Corra atrás dela, porque no final vai ter valido a pena!
Bate-bola
- Um tabu: mulher julgando mulher. Mais sororidade, por favor!
- Autocuidado é… o tempo que dedica a você e mais ninguém.
- Corpo e mente em equilíbrio significam… se sentir bem como você é, mas precisa ser saudável.
- Um mito sobre libido feminina: mulheres não se comparem aos homens, acordem! Somos diferentes e temos um órgão feito somente para prazer, informe-se mais sobre isso.
- Um hábito que não abre mão: acordar com calma, tomar café sem estresse, isso me ajuda a ter um dia com melhores decisões.




