
O primeiro dia do ano pede mais sentido. Para abrir 2026, a coluna propõe ao leitor uma escuta atenta ao tempo, seus sinais, viradas de chave e símbolos, a partir do olhar de quem traduz o invisível em linguagem acessível. A jornalista e taróloga caxiense Claudine Viezzer, estudiosa da sabedoria oracular há 25 anos, compartilha sua trajetória e uma leitura de ciclo, cidade e destino coletivo. Um texto em primeira pessoa que cruza história, herança italiana, astrologia, Jung, Tarot e o espírito de sua cidade natal diante de um ano regido pelo arcano da Roda da Fortuna. Que este debruçar-se seja um convite para engendrar em dias repletos de serenidade.

“Começo este novo ano com a certeza de que nada acontece por acaso.
Meu nome é Claudine Viezzer. Sou filha de Claudio Viezzer (in memoriam) e Claires Carmino Viezzer, caxiense de raízes profundas, trabalho árduo e memória viva. Foi aqui que aprendi, muito antes de estudar Tarot, que o tempo fala e que quem escuta, entende.
Eu tinha 17 anos quando vi, pela primeira vez, um baralho de cartas que mudaria o rumo da minha vida. Estava na casa de uma colega, iniciando a vida universitária, quando aquelas imagens me chamaram. Pedi uma leitura sem saber exatamente o que buscava. No dia seguinte, eu já tinha meu primeiro baralho nas mãos.
Lia intuitivamente para as amigas. As respostas vinham claras. Ainda assim, guardei esse dom em silêncio por muito tempo. O Tarot sempre carregou um ar de mistério, tabu e proibição. Até que uma descoberta reorganizou tudo dentro de mim: o Tarot não nasceu no Egito, como muitos acreditam. Suas primeiras versões, os Tarocchi, surgiram no Norte da Itália, no Século 15, a mesma terra cultural de onde vieram meus antepassados.
Foi um reencontro. Não apenas com o Tarot, mas comigo mesma. Percebi que essa linguagem simbólica também fazia parte da minha herança.
Mais tarde, em Buenos Aires, encontrei a obra de Alejandro Jodorowsky e portas profundas de estudo se abriram. Segui minha carreira no jornalismo, depois mergulhei por mais de 20 anos no universo da moda, como estilista. Hoje sei: estética, símbolos, narrativa visual e leitura sensível sempre estiveram conectados.
Na pandemia, as cartas falaram mais alto. As pessoas buscavam direcionamento, acolhimento e respostas. Eu também. Aprofundei meus estudos, fiz formações, me aproximei do esoterismo com orientação da professora Márcia Seabra. Em 2022, decidi encerrar minha loja no Ceará e me dedicar integralmente ao Tarot, com o apoio amoroso da família e dos amigos.
Hoje atendo presencialmente no Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará, Caxias do Sul, Uruguai e também online, para entusiastas do Brasil, Canadá e Estados Unidos. E sigo acreditando: acompanhar pessoas em seus caminhos é um privilégio.
Porque, se você observar bem, tudo é um oráculo.
O mundo fala o tempo todo por meio de símbolos, encontros, coincidências. Vivemos um diálogo constante entre macrocosmos e microcosmos. O que vibra nas estrelas ressoa dentro de nós. O que sentimos em silêncio retorna em forma de acontecimentos.
O Tarot não prevê um futuro rígido. Ele espelha forças em movimento. Ele organiza esse diálogo simbólico entre o que acontece fora e o que se passa dentro. Jung chamava isso de sincronicidade, há significados se encontrando.
E é com essa escuta que invisto em 2026, um ano regido pela Roda da Fortuna.

Saímos da energia do Eremita, que marcou 2025 com introspecção, lucidez e revisão, e entramos num tempo de movimento acelerado. Tudo o que foi maturado agora precisa girar, agir, acontecer. A conjunção de Saturno e Netuno em Áries, somada às transformações de Urano em Touro, aponta para um novo ciclo histórico no qual sonhos exigem ação e ideias pedem coragem.
A Roda gira para todos. Quem resiste sente o caos. Quem flui encontra oportunidade onde antes havia estagnação.
E isso se reflete também em Caxias do Sul, cidade, emancipada em 20 de junho de 1890, que carrega a marca de Gêmeos que evidencia comunicação, comércio, movimento e conexão. Mas, fundada no limiar com Câncer, também preserva pertencimento, família e tradição. Somos modernos e empreendedores, sem romper com as raízes.
Em 2026, essa identidade é colocada à prova. Saturno e Netuno exigem inovação nos setores tradicionais. Urano em Touro mexe com a economia, abrindo espaço para tecnologia, novos modelos de riqueza e também instabilidades. Júpiter amplia visibilidade, cultura, educação e comunicação.
Na numerologia, 2026 é um Ano Universal 1: início de um novo ciclo de nove anos. Na astrologia, Marte rege o ano, reforçando ação, decisão e coragem. No Tarot, a Roda da Fortuna confirma que o destino se move rápido. Nas tradições de matriz africana, Ogum e Iansã abrem caminhos, aceleram mudanças, libertam o que não serve mais.
Por isso, a cor do ano é o vermelho, símbolo de ação, força vital, paixão e mutabilidade, mas para quem prefere suavizar, tons como bege, nude e off white ajudam a equilibrar a intensidade.
Este não é um ano para esperar. É um ano para dançar com o tempo.
O universo está sempre falando.
O Tarot apenas nos ensina a ouvir.
Que em 2026 você escute.
E que, ao escutar, tenha coragem de se mover.”


