A frase chegou até nós carregando a memória de outros tempos. Para muitos, a emoção costuma aparecer quando a bandeira sobe e o Hino da Independência começa. Mas o Dia da Pátria talvez seja também uma hora de perguntar: ainda somos bravos brasileiros?
Bravos para quê? Para enfrentar a corrupção que já não causa espanto, os escândalos que se sucedem com a velocidade das notícias e uma impunidade que parece ter aprendido a conviver confortavelmente com a indignação dos brasileiros?
Bravos para olhar de frente a violência que invade as ruas, o medo que muda hábitos, as facções que ocupam espaços onde o Estado deveria estar? Ou somos bravos apenas quando é fácil ser patriota, quando basta vestir as cores da bandeira, cantar o hino e sentir um arrepio que dura exatamente até o fim da cerimônia?
Talvez o patriotismo não esteja apenas no peito que se emociona diante da bandeira, mas nas pequenas e grandes escolhas que fazemos quando ninguém está olhando. Está em não aceitar como normal aquilo que deveria nos revoltar. Em não transformar a esperteza em virtude, o jeitinho em regra e a corrupção em assunto dos outros.
“Já raiou a liberdade”, diz o hino. Bonita frase. Quase um convite para acreditar que a história terminou bem. Mas basta olhar ao redor para perceber que algumas liberdades ainda precisam ser conquistadas todos os dias.
Ainda assim, seria injusto dizer que tudo está perdido. Há uma brava gente brasileira que trabalha, cuida, ensina, cria, socorre, recomeça. Gente que, mesmo cansada, ainda acredita que o país pode ser maior do que seus escândalos e mais digno do que suas manchetes.
Talvez seja esse o nosso verdadeiro desafio: descobrir se a bravura que cantamos ainda existe fora das palavras do hino.
Porque amar a pátria é fácil quando ela cabe numa bandeira. Difícil é amá-la o suficiente para querer mudá-la.
E talvez seja justamente aí que começa o verdadeiro patriotismo.




