Algum tempo atrás, cruzando a serra, vi uma daquelas tendas que surgem de repente à beira da estrada, onde se encontra de tudo um pouco: imagens de santos, tapetes, vasos, quadros e esculturas de todos os tipos e tamanhos. Procurava uma pequena imagem para levar comigo quando um homem se aproximou do atendente e fez um pedido inusitado.
— O senhor tem uma escultura de extraterrestre? — perguntou com naturalidade como quem pede um santo de devoção.
Falava sério. Segundo ele, os extraterrestres estavam por aí, observando tudo. Uma estátua grande ajudaria a marcar presença, como quem acena para alguém que passa lá no alto. O vendedor apontou para o fundo da tenda. Lá estavam eles: seres verdes de olhos grandes, enfileirados ao lado de anjos e arcanjos, como se também aguardassem por quem acreditasse neles. Enquanto o homem examinava as peças com atenção, fui tomada por uma daquelas perguntas que não cabem em prateleiras: por que será que, mesmo quando imaginamos o desconhecido, damos a ele formas tão parecidas com as nossas?
Fiquei pensando naquela convivência improvável: de um lado, santos de olhar compassivo, esperando as preces da Terra. Do outro, a ideia de um ET verde gigante, erguido talvez no quintal de alguém, esperando ser visto do céu.
Talvez por isso eu tenha relacionado aquele acontecimento na tenda à notícia de um rapaz do Paraná que afirmava ter presenciado a passagem de um objeto estranho no céu. Bastou a história circular nas redes para surgirem dúvidas, piadas e julgamentos. A maioria parecia convencida de que ele inventara tudo. Talvez sim. Talvez não. O que me chamou a atenção foi a rapidez com que decidimos o que é impossível. Quando o assunto desafia nossas certezas, a descrença costuma correr mais depressa do que a curiosidade.
Naquela tenda de estrada, conviviam sem conflito o sagrado, o imaginado e o inexplicável. Cada um levando para casa aquilo que escolhia acreditar. Talvez seja assim que o mundo se equilibre: entre a fé, a dúvida e a imaginação. Não sei se o homem encontrou a estátua que procurava. Eu saí de lá com minha pequena imagem de santo e com uma dúvida silenciosa: e se, de algum modo, aquele homem buscasse um espelho onde pudesse se reconhecer?
Desde então, sempre que passo por alguma tenda de beira de estrada e vejo uma dessas figuras verdes de olhos enormes, lembro daquele encontro improvável e sorrio sozinha. Porque, no fim das contas, existem histórias que não precisam de provas nem explicações. Afinal, só acredita quem quiser.





