“A cadela do fascismo está sempre no cio.” Esta contundente frase foi escrita pelo dramaturgo alemão Bertolt Brecht, em 1941. Mais atual do que nunca, serve para refletirmos sobre a vertiginosa ascensão de ditaduras mundo afora. A democracia ainda é a melhor forma de governo inventada pelo ser humano. Porém, em épocas de crises institucionais e econômicas, pode ser a porta de entrada para o que parecia praticamente sepultado. A Alemanha, que padeceu sob o nazismo na Segunda Guerra Mundial, parece ter esquecido a lição. Partidos de extrema direita estão se unindo (com sucesso) para retornar ao poder. E aqui não se trata de uma mera alternativa política, defensável em regimes onde vigora a liberdade. É, sobretudo, a brecha para a volta de um sistema responsável pela morte de milhões de pessoas e pela abolição dos direitos individuais. Há grande risco de um povo massacrado durante anos ter como novo líder alguém que professa conceitos insustentáveis, mesmo ainda tratando suas feridas históricas.
Este é apenas um exemplo do que, infelizmente, está se disseminando em inúmeros países. Portanto, este texto se refere a algo além de uma opção partidária. Ele pretende falar de comportamento. Da possibilidade de nos mantermos fiéis a conquistas obtidas a duras penas. A inteligência e o princípio de evolução pressupõem o abandono de cartilhas nocivas à perpetuação da própria raça. Mas nem sempre isso acontece. Aprender com os erros é um ato de sobrevivência. E esse risco de retrocesso acontece em um momento em que jamais tivemos tanta chance de comparar, analisar e escolher, ancorados nas informações obtidas pelo leque de conteúdos oferecidos pelo universo virtual. O problema, ou um deles, reside no fato de sermos inundados todos os dias com conteúdos distorcidos, adulterados. Excesso de dados resulta, muitas vezes, na incapacidade de desenvolvimento do senso crítico. E sem ele nos tornamos vulneráveis diante de qualquer ser propenso a colocar em prática um projeto com o único propósito de angariar controle ilimitado.
Devemos nos posicionar contra os defensores da extinção da pluralidade. Evitar quem ancora seus discursos em uma ideia única. A arte costuma servir de alerta para evitar que a manipulação em massa encontre respaldo em um planeta globalizado. Estamos absorvendo como uma esponja todo tipo de material inflado pela retórica vazia de quem só quer dominar um povo, junto a um grupo de servos dóceis e domesticados pela força das palavras. Em seguida virão a violência e a supressão do pensamento discordante. É preciso esmagar estes ídolos de barro antes que ocupem todos os altares. Eu posso fazer isso. Você também. Basta dizer não a quem deseja amordaçar nossas bocas e nossas almas.



