A Finlândia comemora, em 13 de outubro, o Dia Nacional do Fracasso. Esta data foi criada em 2010 por um grupo de estudantes e se tornou uma referência no país. Pessoas anônimas e conhecidas participam de eventos para apresentar os seus erros como uma forma de aprendizado. Longe de avaliação ou julgamento. O público presente tem a oportunidade de refletir sobre a relevância de assumir os equívocos como um processo inevitável para o amadurecimento. Quando os partilhamos, entendemos o fundamental: se nos desviamos dos caminhos errados, estaremos fadados a vestir o uniforme da arrogância. Causa-me respeito a conduta de quem entende esse processo não como uma espécie de humilhação. Ele simboliza a determinação de se expor sem o temor de ser visto como alguém fraco. Esta postura demanda coragem e, ao mesmo tempo, humildade.
Você imagina os políticos fazendo isso? A realidade nos mostra ser impensável para eles, sinal de fraqueza. E, no entanto, deveriam considerar exatamente o oposto, pois os aproxima do mais comum dos mortais. Esse pressuposto é caro à filosofia, pois significa um revisionismo honesto, analisando-se com verdade. E quando isso é feito no domínio da razão consciente nos leva ao crescimento, em obediência à ética. Aqui pouco conta a mera exposição, mas o movimento de transformar o que nos faz sentir culpados em um gesto de redenção. Muitas vezes disse a mim mesmo: eu poderia ter aprendido isso antes, não no limiar da maturidade. Uma reflexão mais profunda me leva a crer ter sido necessário fazer escolhas que precisaram ser corrigidas para depois ter um entendimento mais amplo.
Pensar assim é ir na contramão da modernidade, imbuída do espírito de sucesso. Mas esta palavra nem sempre define a felicidade. Para tantos demanda sacrificar valores e propósitos de vida. Então, entre pequenos tropeços, vamos nos redesenhando, na certeza de que, lá mais adiante, olharemos em retrospecto com certo orgulho, não excluindo nada da jornada. Isso nos traz um sentimento de alegria, pois demonstra o quão essencial é tatear no escuro até encontrar uma estrada para caminhar com segurança. É, primeiro, uma atitude mental, para depois ser exposta na frente de todos. São gestos minúsculos que aumentam a nossa estatura interior, tirando-nos de um pedestal. Ao optar por algo sempre decidimos pelo que nos parece ser o melhor, naquele momento. Olhar para isso em retrospecto e se sentir menor por ter tomado uma decisão agora impensável só nos tortura mentalmente.
Valorize-se e conte aos amigos o quanto já fracassou. Eles se sentirão encorajados a fazer o mesmo. O reconhecimento das fragilidades nos torna mais fortes, ao contrário do que pensamos. A vitória fácil pode ser uma impostora. Só saberemos o que funciona se descobrirmos a importância de falhar.



