A vida é caótica, desorganizada. Não cabe dentro dos nossos desejos de perfeição. Se você sofre por encontrar um fio de cabelo no chão de sua casa, sugere-se procurar um terapeuta para conseguir aliviar o corpo e a mente, deixando de lado a necessidade permanente de controle absoluto. Usufruir plenamente das entregas costuma ser uma maneira bastante inteligente de organizar os dias. Um vaso deslocado do seu espaço pode ser visto apenas como isso, longe de gerar algum tipo de conflito com quem compartilha do mesmo espaço. A percepção do movimento perpétuo da existência nos dá uma ampla noção do que nos cerca. Ater-se a detalhes é encurtar o propósito de nossa presença aqui, desperdiçando a curta estadia destinada a nós. Ao adquirir essa visão, aprendi a evitar uma boa dose de sofrimento psíquico. Organizar o caos é um bom objetivo, desde que saibamos como é inútil paralisar a alegria em busca de uma meta quase impossível de realizar.
A maturidade emocional nos dá outra dimensão do verdadeiro objetivo da presença humana no planeta. Tudo passa com espantosa velocidade e perder-se em veleidades é encurtar o projeto de felicidade. Se me sinto inclinado a colocar uma lupa sobre um detalhe insignificante, perco o foco essencial. A natureza nos fornece lições preciosas. Gosto de observar o que acontece nos outonos, com as folhas cobrindo o chão. Para alguns, isto representa sujeira. Para mim, beleza. Tapetes macios forram a terra e permitem às seivas no interior dos troncos prepararem as plantas para novo nascimento. É, em suma, uma questão de olhar, revelando a importância do sentir em relação ao mundo. Dizer que somos assim, sempre fomos, pouco contribui para determinar mudanças internas. Existir não pode ser um eterno ato de tensão, de severa vigilância. Deve se assemelhar a um passeio descontraído, apreciando a paisagem de maneira conveniente.
Estas palavras têm como intento evidenciar algo presente na mente de muitas pessoas. Torturar-se por miudezas é puro desperdício de tempo, jogando fora uma rica possibilidade à disposição. Mudar hábitos é complexo e exige uma tenacidade que em geral esmorece as almas menos propensas a ensaiar uma nova visão. Porém, se não rompemos com a resistência, seremos eternas vítimas de pensamentos equivocados que nos guiam com poder de decisão. No começo, a tendência é a de repetir modelos, pois o cérebro opera com padrões conhecidos. Mas somos seres capazes de estabelecer conexões inéditas com a realidade. Primeiro dói, imobiliza, pois tudo em nós irá pender para a tensão. Depois passa a ser agradável, como uma manhã nascendo suavemente. São exercícios a serem feitos com constância. Afinal, relaxar é preciso.






