Alguns comportamentos são como ervas daninhas: por mais que a gente tente eliminá-los, acabam retornando. Isso está acontecendo com o machismo, uma postura execrável, mantida viva pela força das redes sociais. E não pense serem pessoas de idade avançada a proliferar isso, saudosos da época em que as esposas eram dóceis, passivas e do lar. Pelo contrário: são jovens na faixa dos vinte, trinta anos propagando, com uma linguagem retrógrada, conceitos que pareciam enterrados no passado. Hoje ostentam com altivez um novo catecismo de subserviência feminina.
Um influenciador disse em numa entrevista, cheio de orgulho: “Tirei a minha namorada da faculdade e me envaideço de tê-la em casa, ao meu dispor, o dia todo.” Dá pra acreditar? Esses caras têm milhões de seguidores e ajudam a proliferar bobagens perigosas. Antes vistos como exceções, despertando certa curiosidade antropológica, já são observados com temor, pois espalham um conjunto de ideias que deveriam ter ficado congeladas lá atrás.
É impressionante como aprendemos pouco com a história. Um descuido e as piores coisas regressam. Depois de décadas de luta para mostrar o óbvio (não existe superioridade baseada em gênero), agora nos vemos novamente frente a uma postura denotando retrocesso inaceitável. E isso é como um rastilho de pólvora se espalhando rapidamente. E, cá entre nós, como inúmeras jovens se submetem a criaturas tão abjetas? Atração física, carência, medo de ficarem sozinhas? São tantas as variáveis. Claro, a questão do poder precisa ser considerada. No entanto, ele perde o seu apelo se o preço é a subserviência e a humilhação. Diversas garotas se dizem satisfeitas ao lado desses ogros com verniz estético apurado. Pode até ser, porém, é jogar na lata do lixo o que foi obtido ao longo do tempo, inclusive com muitas mortes. Com o acesso quase ilimitado em termos informacionais, parecem ruir as desculpas da falta de conhecimento do que está acontecendo ao redor.
Alertas estão sendo emitidos diante da proliferação de tais atitudes. Somos altamente influenciáveis e costuma ser comum nos espelharmos em quem admiramos. Melhor tentar cortar o mal pela raiz, embora a planta já pareça bastante viçosa. É preciso combater tais posturas, sob o risco de vermos essas disparidades se normatizando. Há uma tendência mundial para a adoção de pensamentos de viés conservador em várias áreas, sobretudo na política. Atenção, portanto. Você poderá estar vivendo no século 21 com a cabeça do 19. Não se orgulhe de sua própria ignorância. As mulheres amam a gentileza, a expressão dos sentimentos, a convicção de igualdade entre os pares.
Seja moderno. O machismo é cafona.






