Ao longo dos anos tenho estudado com afinco o tema da felicidade. Ela varia através do tempo, não havendo um núcleo permanente que a defina. Hoje, neurocientistas, psicólogos e psiquiatras acrescentam novos dados a cada investigação. Nos últimos anos, um ponto em comum os une na definição de um conceito irrefutável: dependemos da genética para que um grau maior ou menor de contentamento acompanhe as nossas vidas.
Se você teve pais inclinados à alegria, a sua chance de ser uma pessoa extrovertida e propensa a ver tudo com os óculos da positividade aumentará. O contrário também é verdadeiro. A tristeza tenderá a entrar pelos seus poros com mais facilidade se você tiver como ascendentes seres melancólicos e que veem o mundo pelo viés do infortúnio. É uma constatação que beira o fatalismo, mas há, para além dela, a possibilidade de driblar o destino. Essa tese é apresentada com brilho pelo escritor americano Jonathan Haidt em seu instigante livro A hipótese da felicidade.
Após uma intensa averiguação de campo e o suporte de dados fornecidos por pesquisas e estudos, ele chegou à alentadora conclusão de que existem três caminhos para alterar o que a natureza nos impõe como definitivo. E os frutos a serem colhidos estão ao alcance de todos, bastando para isso disciplina e, em alguns casos, alguma ajuda farmacológica. Vamos a eles.
A prática da meditação funciona como uma pílula para mudar a forma como enxergamos a realidade. Embora exija constância, tem o efeito de uma inserção de dopamina no corpo. Esta descoberta faz parte da história dos orientais há milênios e, com as bênçãos da globalização, chega a nós como um potente analgésico para o sofrimento. Está longe de ser um processo mágico. Contudo, altera substancialmente os circuitos neuroniais, levando-nos a uma nova percepção do universo.
Você poderá, além disso, optar pelo tratamento psíquico. De todas as teorias, constatou-se que a terapia cognitivo-comportamental surte os melhores efeitos. O passado não é passível de modificação, mas algo fundamental relacionado a ele, sim: a forma como interpretamos os acontecimentos ocorridos. Isso é poderoso e altera as lentes como absorvemos os fatos e emoções entregues pela vida.
Por fim, a medicina traz grande alento para os que padecem com dores na alma: o uso controlado de antidepressivos. E aqui o autor nos diz ser o Prozac o mais eficaz (ou derivados com o mesmo princípio ativo), pela sua capacidade de aumentar os níveis de serotonina no cérebro.
A fatalidade pode ser convertida em uma circunstância provisória. Esta é a boa notícia dada a quem parece sucumbir diante da escuridão. Um aceno de salvação para cada um de nós, submetidos às leis agora nem tão imutáveis da biologia.



