Novidade na praça. O chat GPT liberou o “modo adulto”. O que é isso?, perguntarão vocês, um tanto incrédulos, como eu. Pois é um novo sistema de algoritmos gerados pela inteligência artificial. O objetivo é a interação entre seres humanos e máquinas, com o propósito de criar um companheiro ou companheira para atender às nossas necessidades e desejos afetivos e sexuais. A adesão promete ser maciça, sobretudo por estar relacionada ao mundo virtual. Não serão só as características físicas passíveis de serem modeladas ao critério do freguês. Contará muito a maneira de alimentar esses complexos, sua programação para reagir “emocionalmente”. Adeus frustrações, vamos à procura de um sonho até então irrealizável: a perfeição.
Nutro interesse em saber no que vai dar. Já é uma revolução de comportamento, digna de estar no centro das atenções de psicólogos e afins. Mas, como sempre ocorre, nos ajustaremos a essa nova maneira de tentar reduzir a solidão. O problema é conseguirmos administrar os confrontos da vida, quando enfrentarmos alguma dificuldade inerente ao processo de tolerância em relação ao outro. Aqui, no mundo real, precisamos mais do que acionar uma tecla para resolver eventuais conflitos. Portanto, pense antes de enriquecer um geniozinho do Vale do Silício.
Está em nosso DNA a curiosidade. Se fosse diferente, ainda estaríamos nos digladiando nas cavernas, distantes do progresso promovido pela vontade de conhecimento. Já fui bastante radical em questões que rompem com os padrões estabelecidos. Hoje estou tranquilo quanto a isso. Observo, analiso e, se me servir, “converto-me”. Só não contem comigo para ser o novo arauto das tecnologias. Elas facilitam a existência, mas estão longe de nos conduzir a uma expansão do espírito. É pura exterioridade e persisto em apostar as fichas nas boas conversas, nos encontros, no acolhimento dos demais. Antiquado, né? Sei lá, deve ser sinal da passagem do tempo. Ou de lucidez, depende da visão.
Afinal, qual o impacto que isso representará nos costumes? Por certo será considerável. Quando vou às escolas palestrar para adolescentes, indago se preferem namorar presencialmente ou através da internet. A segunda opção ganha disparado. Simplesmente por ser cômoda e funcional. Os términos são menos doloridos. Um whats e pronto. Porém, é evidente a perda em termos de desafio interior. Se é fácil, os resultados ficam aquém do esperado.
O sentimento que aflora dessa realidade inédita é claro: medo da rejeição. Vamos pagar por algo ultramoderno, sem falhas, para satisfazer impulsos primitivos. É inegável ser um empobrecimento nos aspectos relacionais. De minha parte, continuarei gerenciando atritos com o intuito de alcançar uma vivência plena de significados.
Saímos do romantismo, propriamente dito, para entrar na era dos amores sintéticos. Quem viver, verá.




