Assim são definidos, pela psicologia moderna, os adolescentes de hoje em dia. Não se pode negar haver um fundo de verdade. Desconsiderando as exceções, vemos jovens inclinados à indolência e à incapacidade de resolver problemas de qualquer ordem, por menores que sejam. Preferem viver algodoados, sob eterna proteção. Ao se desviarem das situações de embates apresentadas, retardam o seu amadurecimento e só conseguem lidar com o miúdo da realidade. Transferem esforços, colocando-se em situação de fragilidade. Há muito tempo trabalho com estudantes nesta faixa etária e percebo uma diminuição de interesse no processo de aprendizagem. Por outro lado, são sagazes e rápidos na elaboração das tarefas a cumprir. Somente quando querem, e isso, infelizmente, está longe de ser a regra. Costumam ser mais inteligentes que as gerações anteriores, pois têm acesso a um número gigantesco de informações desde cedo. A questão é: ao receberem fácil, vão se tornando resistentes aos processos que demandam tempo e disponibilidade maiores. A inteligência artificial fornece respostas instantâneas. Mas a vida não. Portanto, é “natural” reagirem dessa maneira às demandas solicitadas.
Aprecio conviver com eles, pois estão libertos de vários preconceitos sustentados por pais e avós com disfarçado orgulho. Respondem com rapidez a toda indagação. Porém, junto a isso constata-se terem escasso apreço pela autoridade alheia, outrora verticalizada. Atribuem pouca importância à experiência. Têm afeição pelo novo, onipresente. Com isso, acabam detendo um poder nunca antes visto em épocas idas. Transitam com extrema facilidade pelo mundo tecnológico, ao contrário de nós, os “velhos”, pois encontramos dificuldades em assimilar este universo apresentado durante a nossa formação adulta. No entanto, poderão dizer vocês, esses conflitos estiveram sempre presentes na história da humanidade. Sim, contudo de forma bastante atenuada. As mudanças eram lentas e mal notadas ao longo dos anos. Agora se dão em meses, semanas. Vejo nisso aspectos positivos também. Os conceitos passaram a ser questionados, pois gostam de experienciar, recusando valores passados pelos demais. Rompem com barreiras, arejando a existência.
Tudo colocado na balança, verifica-se estar acontecendo uma ruptura de proporções gigantescas. Na busca pelo ideal, os manteríamos curiosos, atentos e críticos. Ressalve-se, no entanto, como seria saudável expandir o respeito pelos responsáveis que lhes abriram as portas. Como por enquanto isso está ausente no horizonte, impor limites e cobrar ações eficazes parece ser a conduta necessária.
Nem cristal e nem ferro: uma junção dos dois para criar um terceiro elemento mais maleável, fundamental para o caminho do crescimento pessoal. Afinal de contas, logo ali, eles terão uma única escolha a fazer: enfrentar com força e determinação os desafios que certamente serão postos à sua frente. Estarão preparados?



