“Que época superficial a nossa!”, lamentam os mais pessimistas, sem fazer um breve passeio pela história e suas peculiaridades. Cada período teve algo a louvar e a lamentar. Assistindo a um documentário sobre o Império Romano, período de reinado do grande governante e filósofo Marco Aurélio, sou informado das inúmeras guerras travadas para o aumento de domínios territoriais. Ele escreveu o famoso livro Meditações entre sangrentas batalhas. Recuemos alguns anos para saber o que se passava quando viveu Jesus. Falsos profetas dominavam o debate. Eram uma praga combatida com prisão ou morte, na tentativa de erradicá-los. O dinheiro, sempre ele, ditava a conduta humana. Relato isso com o propósito de ser uma boa amostragem e assim perceber a necessidade de relativizar as críticas sobre a diversidade de costumes, pois trouxeram a expansão do pensamento no campo das ideias. Preconceitos foram derrubados e agora a possibilidade de expressar múltiplas opiniões já não significa colocar a vida em perigo.
Se você reclama, como eu, sobre os malefícios das redes sociais, pense nas maravilhas que poderíamos ler se elas existissem nos dias de Buda, Confúcio, Voltaire. E mais perto da gente, de Mario Quintana, Millôr, Drummond e tantos gênios da palavra. O fascínio pelas descobertas tecnológicas parece ser uma constante e atravessa gerações. O problema está no uso excessivo e, mais recente, na dificuldade de distinguir notícias verdadeiras das falsas. Bem-vindos à mente, capaz de produzir maravilhas e conceber armas letais para destruir sua própria espécie. Novos mandatários evidenciam projetos de dominação do mundo, como aconteceu há décadas, séculos ou milênios atrás.
Então, distinto leitor, distinta leitora, vamos colher o melhor do momento, sem vociferar tanto. Faça um exercício de imaginação e transporte-se para outros séculos. Se fosse possível testemunhar os comportamentos gerados por tantas inovações, encontraríamos reações semelhantes às de hoje. Considero educativo elaborar esses raciocínios para deixar de prestar atenção aos que estimulam uma visão tão negativa, calcada nos reveses causados pela evolução da tecnologia. A decisão de optar pela busca da sabedoria obedece a um processo interno, nada tendo a ver com o caos ou a paz testemunhados ao redor.
Os saudosistas encontrarão inúmeras razões para rever seus posicionamentos, se espiarem pelas frestas do tempo seus ídolos de estimação. Jesus digitando micro textos no aplicativo X. Os discípulos provavelmente parariam para ler, em estado de encantamento, como fazem os adolescentes atuais.
Mudam os reis e os súditos. Mas o cérebro, criador do universo, continuará cedendo aos encantos de toda e qualquer novidade.




