“O algoritmo simplesmente hackeou nosso programa evolucionário... e o que estamos vendo ao nosso redor é só o começo. À medida que a Inteligência Artificial se torna cada vez mais sofisticada, ela vai aprender a nos hackear num nível cada vez mais profundo.”
Yuval Noah Harari, historiador, filósofo e escritor israelense
O conceito de algoritmo até hoje confunde muita gente, mas é onipresente quando falamos em tecnologia e, principalmente, em redes sociais. Toda e qualquer interação que realizamos num ambiente virtual é regida por algoritmos, e a grande maioria das pessoas sequer faz ideia do que sejam.
Ao contrário do que muitos acreditam, um algoritmo não é uma operação matemática específica, como uma soma, um logaritmo. É um procedimento formal e finito, composto por uma sequência bem definida de passos e etapas que recebe determinados dados de entrada, realiza operações de acordo com regras previamente estabelecidas e produz uma saída, ou seja, um resultado. Basicamente é um método sistemático e finito para realizar uma tarefa ou resolver um problema.
E como isso atua na nossa relação com as máquinas, ou seja, quando usamos um celular, um computador, um relógio smartwatch que monitora nossos passos e nosso sono? O algoritmo é a ponte entre os dados que uma máquina recebe e a ação que ela realiza.
Quando você usa um celular, por exemplo, o aparelho coleta dados (localização, horário, movimentos, toques na tela, pesquisas, fotos, curtidas), e os algoritmos processam esses dados segundo regras matemáticas e estatísticas para produzir algum resultado. No relógio digital, sensores registram movimento, frequência cardíaca e outros sinais e então os algoritmos analisam esses dados e fazem uma estimativa de passos, sono, atividade física ou outros indicadores.
O dispositivo mede sinais, transforma-os em dados e aplica modelos para chegar a uma conclusão. E isso muda nossa relação com a tecnologia: cada vez mais, não somos apenas nós que damos ordens porque as máquinas também passam a interpretar nosso comportamento e a tomar decisões por nós: o que mostrar na tela, que rota sugerir, qual música recomendar, quando nos lembrar de levantar ou até quais informações considerar relevantes. É justamente aí que o conceito de algoritmo deixa de ser apenas matemático e passa a ter consequências sociais, econômicas e culturais: deixamos de ter autonomia para seguir recomendações mecânicas que interpretam a realidade no nosso lugar.
Na verdade, estamos sendo hackeados o tempo todo. E com a IA entrando no jogo, ela vai pensar por nós o tempo todo se assim permitirmos e não nos libertarmos um pouco dessa servidão à tecnologia. Nunca o pensamento crítico e independente foi tão crucial para a real evolução da humanidade.

