Andei passando por alguns dias meio cabisbaixa, triste mesmo, bastante preocupada com várias coisas. Sabe aquele desânimo que te faz sentar em algum lugar sossegado, longe de outras pessoas, com o rosto apoiado em ambas as mãos porque o peso dos pensamentos é maior do que o pescoço consegue sustentar?
Pois bem, estava eu num dia desses no pátio dos meus pais, não havia mais ninguém lá. Quer dizer, havia sim. No momento em que me sentei na beirada do poço (literalmente, há um poço murado perto do gramado que geralmente serve como meu banco de praça particular), elas vieram: primeiro a minúscula Cindy Lou, com quem tenho uma conexão inexplicável, depois a bela e grande Zara, com seus olhos bondosos, por último a idosinha Lisa, quase sempre arisca e mal-humorada, mas naquele dia parecia compadecida da minha situação.
As três são as cachorrinhas que meus pais foram adotando ao longo dos anos, três vira-latas muito amadas por nossa família. E nosso amor por elas é só retribuição por momentos assim: não precisei dizer uma única palavra sobre meu estado de espírito abatido, e as três vieram ao meu encontro, com lambidas, patinhas no ombro, pulando no colo com gentileza, me olhando fundo nos olhos como se dissessem “Vai ficar tudo bem, estamos aqui”.
Por isso nem pensei duas vezes em aceitar o convite da coordenadora e mestre em Direito Fernanda Furlan Giotti para colaborar com o Grupo de Pesquisas Animalistas da Comissão de Proteção e Defesa dos Direitos dos Animais (CPDDA-OAB/RS) na publicação de uma cartilha em prol da proteção animal. Mais do que apresentar direitos, a publicação busca apontar caminhos acessíveis para fortalecer uma convivência baseada no respeito entre as espécies. Fernanda destaca ainda que a defesa dos animais é uma responsabilidade compartilhada entre Estado, sociedade e cada cidadão — e que protegê-los vai além de um gesto de compaixão: é também um compromisso ético e um dever jurídico amparado pelo ordenamento brasileiro.
No dia 6 de agosto, a Cidade da Advocacia em Porto Alegre recebe, pela primeira vez em sua história, um espaço dedicado exclusivamente ao Direito Animal. A data também será marcada pelo lançamento de duas publicações inéditas: a cartilha infantil Animais Nossos Amigos e a cartilha da comunidade Proteção Animal. Com esse material, a expectativa da Comissão é contribuir para uma sociedade mais justa, sensível e solidária, usando a informação como ferramenta de transformação e dando voz a quem não pode falar por si, mas que em muitas situações conversa com a alma da gente.



