Pensando bem, já é uma honra para um país como o Brasil participar de uma Copa do Mundo e ser visto como um candidato forte, já que no futebol temos mais títulos que qualquer outro país. Pena que essa aparente força é só no futebol. E talvez nem mais nisso. Na verdade, é até saudável que nossa autoestima enquanto nação não esteja atrelada a um evento que ocorre apenas a cada quatro anos. Bom mesmo era que tivéssemos orgulho da terra onde nascemos todos os dias, em vez de nos afundarmos cada vez mais em incertezas, medo, indignação e a sensação de que estamos para sempre estagnados num subdesenvolvimento atroz.
Obviamente, a derrota do Brasil para a Noruega na Copa do Mundo foi muito mais mérito da seleção escandinava do que demérito do nosso time. Mas falando em demérito, não tem como deixar de pensar que a mentalidade do brasileiro médio tem um excesso de “tanto faz”: é muito conformismo, preguiça e comodismo, mas também é falta de projeto de futuro e de rumo por parte de quem deveria nos liderar.
Vamos tomar, como exemplo, todo o simbolismo do verbo remar. A torcida norueguesa comemora suas vitórias imitando vikings remando seus barcos pelas águas gélidas do Norte profundo. Entre os séculos 8 e 9, remavam e velejavam rumo às ilhas do Atlântico Norte: Islândia, Groenlândia, Inglaterra, Irlanda. Conseguiram chegar até mesmo à costa do Canadá. O nível de coragem, de engenhosidade e de perícia era admirável. Se aventuravam com o claro objetivo de buscar algo melhor para o seu povo. Saqueavam outros povos? Sim, historicamente se sabe que sim, mas ao menos não saqueavam seu próprio povo… (aqui deixo uma indireta).
No Brasil, quando um cidadão diz que está remando, se refere à triste e conhecida expressão “remar, remar, remar e não sair do lugar”. O “remar” simboliza principalmente o esforço e o trabalho, embora, infelizmente, dificilmente traga o resultado esperado. Não se vai adiante, não se avança, muitas vezes se rema contra a correnteza. É impossível que nós, brasileiros, consigamos apenas no braço enfrentar a maior carga tributária do mundo, índices de violência assustadores, um sistema que parece calibrado para sustentar uma casta intocável enquanto distrai o povaréu com migalhas.
Essa comparação não tem nada a ver com viralatismo ou exaltação do DNA nórdico ou qualquer outro tópico usual dos debates rasos da militância. O que há claramente nessa questão do símbolo do remo é o contraste entre dois tipos de mentalidade: um povo que toma para si a responsabilidade de sair de uma situação difícil via esforço porque historicamente sabe que vai compensar, e outro povo que parece simplesmente abatido e conformado em ficar sentado num barquinho que jamais sairá de onde está.





