Fazia muito tempo que eu não ouvia a palavra “cizânia”, embora toda a população brasileira esteja sentindo na pele e no bolso os efeitos nocivos disso. Cizânia é usada para indicar discórdia, intriga, desavença ou conflito entre pessoas e interesses.
A etimologia vem do grego zizánion, e é aqui que a história desse termo fica bem interessante: este era o nome dado a uma erva daninha que parecia trigo quando brotava, conhecida entre nós como joio. A origem do sentido figurado da palavra está na famosa parábola do joio e do trigo presente nos Evangelhos. Na história contada por Jesus, um inimigo semeia joio no meio do trigo, dificultando a colheita e causando prejuízo porque era muito difícil separar um do outro. Por analogia, “semear cizânia” passou a significar provocar conflitos ou desentendimentos entre pessoas com a intenção de prejudicar adversários. Contudo, uma colheita inteira desperdiçada não traz prejuízos somente ao dono das terras, mas também a quem conta com o pão no final da cadeia produtiva...
Em Reunião Almoço especial promovida pela CIC Caxias do Sul na última sexta-feira (29/05), o pré-candidato à presidência da República, Ronaldo Caiado, abriu sua palestra justamente pregando o fim da cizânia. Passamos mais de duas décadas numa polarização infrutífera que não só impediu o real desenvolvimento da nossa nação em termos de educação, indústria, comércio e serviços, como também criou um Estado que gasta muito mais do que arrecada. Em vez de cortar gastos para equilibrar as contas (como muitos de nós temos feito diante da inflação real lá dentro do supermercado), o governo aumenta ainda mais a arrecadação sufocando empresários e a população em geral com impostos que estão entre os mais altos do mundo.
Sabemos muito bem quem foi o semeador desse joio todo lá atrás. Sabemos também quem está sendo incompetente ao administrar recursos públicos, quem está sendo negligente com a segurança pública e com as relações promíscuas entre o crime organizado (do narcotráfico a trambiqueiros como o tal Vorcaro) e as instituições. Como disse Caiado, o próximo presidente da República não vai pegar um paciente com um simples problema de menisco: vai pegar um Brasil na UTI, um país que foi atropelado por um trem e destruído a ponto de quase não ter mais salvação.
Não há benefício social, assistencialismo ou programas governamentais que possam reparar minimamente os estragos que a violência nas ruas e a alta dos preços nos mercados causam à maioria da população. É esperar outubro e ver o que o Brasil vai escolher.



