Ressurgiu recentemente um trecho do documentário Catholicism, parte do episódio intitulado Aquilo do qual nada maior pode ser concebido. Essa frase é atribuída a Anselmo de Cantuária, monge beneditino do século 11, em referência a Deus. No episódio em questão, após o conclave de 2005 que elegeu o cardeal Joseph Ratzinger como o Papa Bento XVI, todos os cardeais que participaram da votação estavam reunidos na sacada para saudar a multidão que aguardava no Vaticano. Um deles, o cardeal norte-americano Francis George, de Chicago, chamou a atenção dos jornalistas enquanto observava em silêncio contemplativo as ruínas do Império Romano à distância.
Quando retornou aos EUA, repórteres perguntaram ao cardeal Francis o que passava em sua mente naquele momento. Ele respondeu que estava pensando em como Cristo não havia deixado um trono vazio. O cardeal Francis George disse: “Eu estava contemplando em direção ao Circus Maximus, em direção ao Monte Palatino, onde os imperadores romanos outrora reinaram, de onde observavam a perseguição aos cristãos, e pensei: onde estão os seus sucessores? Onde estão Júlio Cesar e Marco Aurélio? Mas quem se importa? Porque quem quiser ver o sucessor de Pedro, ele está bem aqui ao meu lado, sorrindo e acenando para a multidão”.
A Igreja Católica hoje talvez seja uma das instituições mais longevas e mais sólidas da história da humanidade. Hoje sob a liderança do Papa Leão XIV — também norte-americano e também de Chicago como o cardeal Francis George —, temos mais de dois mil anos na ativa e quase 2 bilhões de fiéis que seguem o catolicismo diretamente da pregação dos apóstolos de Jesus Cristo. E, tendo Jesus como exemplo, não deveria ser surpresa para ninguém que o Papa Leão pregasse a paz, o entendimento e o fim das guerras no mundo.
Mas, por causa disso, Donald Trump se sentiu contrariado: num daqueles arroubos de soberba que beira à loucura, achou por bem publicar um meme feito por IA retratando a si mesmo como Jesus, num ato de blasfêmia injustificável. É bizarro como um país da dimensão e do poder cultural, bélico, político e econômico como os Estados Unidos consiga, na mesma semana, trazer de volta os quatro astronautas da missão Artemis 2 ao redor da Lua e arrumar uma treta completamente desnecessária com cristãos do mundo inteiro.
Ser um líder de uma nação requer, acima de tudo, sabedoria, bom senso e respeito. A soberba e a arrogância sempre precederam a inevitável queda. Arrumar um atrito desnecessário com a igreja de Pedro, criada pelo próprio Jesus Cristo, foi um ato típico de quem se acha maior que qualquer coisa. Trump deveria saber que não é. Vivemos uma época em que precisamos de líderes sábios e ponderados. Onde estão eles?




