Eu me revolto demais ao ver o pai ou a mãe de uma criancinha menor de 5 anos sendo irresponsável em via pública. Outro dia, numa esquina movimentada de Caxias do Sul, vi do outro lado do cruzamento uma moça distraída na calçada esperando o sinal abrir. Ao lado dela, uma garotinha que não devia ter nem 3 aninhos, solta, girando e pulando como uma pequena bailarina, mas perigosamente próxima à rua onde os carros passavam. Custava essa pessoa adulta segurar firme a mão da criança para evitar que ela corresse para a rua e fosse atropelada?
Sim, sou dessas: penso nos perigos e nos piores cenários que podem acontecer justamente para me antecipar e proteger quem depende do meu cuidado, da minha atenção e da minha responsabilidade. Quando minha filha era pequena, sempre segurava a mãozinha dela bem firme, fosse para atravessar a rua, caminhando na calçada, até mesmo dentro do shopping ou do supermercado. Crianças se distraem facilmente, e um segundo de desatenção pode resultar numa vida inteira de arrependimento e de tristeza.
Não custa nada segurar a mão. Nada. Aliás, é dever de qualquer adulto proteger os pequenos com todos os recursos que estiverem disponíveis, principalmente com sua atenção cuidadosa. Por isso, naquele dia, minha vontade foi de correr até o outro lado da rua e eu mesma dar a mão para a menininha, já que a outra adulta da história parecia totalmente absorta em seu próprio mundinho. E não venham com aquele papinho falacioso de feminista radical de que eu deveria ter mais “sororidade” e que não se sabe o que a moça, provavelmente a mãe, estava passando. Dane-se! A vulnerável ali não era a mulher adulta ciente dos perigos do trânsito do centro de uma cidade grande, mas, sim, a menina cuja mão ninguém segurava, totalmente negligenciada, até mesmo invisível.
Não se pode terceirizar os cuidados com uma criança ao Estado, à escola, ao Conselho Tutelar, aos bombeiros, enfermeiros, policiais, psicólogos: o bem-estar infantil começa e é garantido dentro do núcleo familiar. Infelizmente, há muitas crianças que sequer contam com isso. Li estarrecida a notícia de que um casal da cidade de Feliz simplesmente abandonou seus três filhos menores de dois anos em casa, no meio da noite, e saiu para uma noitada de bebedeira. Ninguém teria sabido dessa história se os pequenos não tivessem ido para a rua à procura dos pais e, por intervenção dos anjos, fossem encontrados por vizinhos, eles próprios anjos terrestres que evitaram o pior, adultos que seguraram aquelas mãozinhas numa madrugada fria. Quanto ao casal, nem todo o rigor da lei vai reparar o estrago que causaram na vida de seus filhos negligenciados desde tão cedo.



