Na minha coluna anterior, falei do que chamam de “a erosão do Ensino Superior” e de como até uma instituição renomadíssima como a Universidade de Harvard entrou numa fase de corredores vazios. Ao que parece, deixou de fazer sentido para muitos jovens investir tempo e dinheiro numa graduação, para depois de longos cinco anos chegar ao mercado de trabalho sem as habilidades nem a experiência (de vida e de trabalho) para se destacar nos processos seletivos das empresas.
Mas essa dissonância entre força de trabalho jovem e mercado não é só culpa de universidades desconectadas da sociedade. Temos uma juventude em plena idade produtiva incapaz de compreender a realidade, de solucionar problemas, de criar e de produzir de acordo com o que se espera na idade adulta, o que obviamente revela uma formação deficiente nas próprias famílias e na educação básica, muito antes do vestibular. Nos chegam relatos de professores universitários reclamando que há acadêmicos que sequer conseguem interpretar um texto ou mal prestam atenção a uma explicação.
A capacidade de concentração desses estudantes inexiste, vítimas que são do apodrecimento do cérebro causado pelo excesso de telas e de dopamina artificial. Acrescente-se a isso uma dose cavalar de imaturidade ao achar que o mundo é que tem que se dobrar aos seus caprichos, e temos um contingente completamente despreparado para a vida adulta. Dessa forma, acabam sendo presas fáceis a quem busca recrutar cabecinhas ocas e carentes de atenção, com pouquíssimo senso crítico, para militar na causa ou na ideologia do momento. Trabalhar que é bom, nada.
Por isso na última década cada vez mais as universidades — aqui e no mundo todo — parecem ter se tornado celeiros de militantes em vez de formar os profissionais que o mundo moderno e a sociedade precisam. Os raros jovens que chegam à faculdade com um mínimo de visão crítica e de compreensão da vida real inevitavelmente deixam de perceber o valor e a importância de estar num ambiente assim. Estes acabam complementando sua formação profissional por meio de estágios ou mentorias com quem se destaca em sua área de interesse, ou ainda se inscrevem em cursos técnicos rápidos para evoluir tanto na vida pessoal quanto na carreira.
É claro que ninguém aqui está decretando o fim do curso superior ou diminuindo a importância de uma graduação bem feita e bem aproveitada. O que estou tentando mostrar é que passou da hora de se levar mais a sério os anos formativos dos nossos jovens, da Educação Infantil até o Ensino Superior. São muitas horas, muitos dias, muitos anos frequentando os bancos escolares para que mesmo? Para se tornar um jovem adulto inútil e obsoleto? Fica aqui apenas um alerta para o tempo perdido.


