Acho que uma das primeiras colunas que escrevi aqui para o Pioneiro e GZH falava justamente do distanciamento das universidades — e da academia num geral — em relação ao mundo real. Há raras exceções louváveis de departamentos que logo perceberam a importância de manter uma forte ligação com a indústria e com o mercado, criando parcerias duradouras com setores privados (como acontece com vários centros de pesquisa da nossa UCS) para não se tornarem obsoletos. Porém, muitas instituições estão rapidamente caindo no ostracismo e na irrelevância, incluindo a sempre tão incensada Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
Assisti a uma matéria da Economy Media no YouTube que fala sobre os motivos do esvaziamento da antes superprestigiada universidade norte-americana. Segundo várias fontes, uma das razões é que hoje o diploma universitário deixou de ter a exclusividade para que as empresas identificassem um talento. Muitos preferem contratar para cargos iniciais alguém com Ensino Médio completo e que tenha um conjunto de habilidades e características pessoais que valem mais do que ter alguém com Ensino Superior, mas carente de tais qualidades. Além disso, num mundo que vem passando por mudanças constantes a uma velocidade sem precedentes, não faz sentido algum ficar preso a uma instituição, a um tipo de pensamento, a um tipo de bolha estagnada por longos quatro ou cinco anos antes de ingressar no mercado de trabalho.
Nos Estados Unidos, é bem raro um jovem universitário estudar e trabalhar em tempo integral. O resultado disso? Quando finalmente se formam, chegam aos escritórios, às empresas, enfim, ao mundo real sem as habilidades necessárias para desempenhar um papel profissional alinhado ao que se espera de alguém formado. Aqui no Brasil, até a primeira década do século 21, era muito comum que os universitários, em sua grande maioria, estudassem e trabalhassem ao mesmo tempo. Assim, supostas lacunas deixadas pelo ensino excessivamente teórico e até mesmo ultrapassado de alguns cursos da faculdade acabavam sendo preenchidas pelo treinamento e acompanhamento de supervisores dentro das empresas.
Além disso, esses jovens saíam do Ensino Médio com um conjunto de habilidades de raciocínio lógico, comunicação, resolução de problemas, autonomia e socialização bem mais sólidos. Também é válido ressaltar que as famílias cumpriam sua parte: noções de respeito, de hierarquia, de concentração, de cumprimento do dever, de pontualidade e de organização vinham de casa. Mas e agora? Sabemos que a coisa anda feia. Famílias e escolas de educação básica andam falhando na formação de nossas crianças e adolescentes. Eles chegam na faculdade com carências absurdas.
(Continua na próxima semana)


