Pouquíssimas coisas me deixam mais indignada do que mães totalmente inaptas. Antes que alguém venha me xingar dizendo que me falta “sororidade”, aqui está a carteirinha de “lugar de fala”: sou mãe, portanto me dou o direito de apontar dedos quando testemunho mais um caso de mãe “influencer” ou “tiktoker” sendo absolutamente sem noção, fria, incompetente, egoísta e alienada no que diz respeito a cuidar dos filhos que colocou no mundo e, para piorar, humilham as crianças em vídeos supostamente “cômicos”.
Uma mulher bonita, de uns 30 e poucos anos, postou um vídeo recentemente reclamando que as férias escolares já iniciam no começo de dezembro e que as aulas só voltarão em fevereiro. Com um ar de deboche e fazendo caras e bocas, a tal mãe questiona: “Como assim as minhas crianças vão entrar em férias dia 5 de dezembro? E depois faz o quê? Faz como? Tira férias? Falo com meus clientes, então, não vou conseguir trabalhar, vou ficar aqui, cuidando dos meus filhos? Até fevereiro, final de janeiro.” O tom forçado de tragicomédia, sinceramente, me deu náuseas: debochar dos próprios filhos virou conteúdo e entretenimento agora? Só se for para outras progenitoras ensimesmadas iguais a ela.
Como essa jovem senhora fala em clientes e parece saudável e bem vestida, presumo que não seja de uma família vulnerável. Sem dúvida, na época do recesso escolar, as famílias mais carentes não têm recursos nem rede de apoio para garantir os melhores cuidados aos pequenos durante as férias deles. O que falta a essa mãe do vídeo é um pingo de noção, saber que, em primeiro lugar, ter filhos requer amor, mas também preocupação com a dignidade deles. Expor os filhos como um tipo de “estorvo” em rede social em vez de celebrar um momento tão especial como as férias de verão, as brincadeiras, poder passar mais tempo juntos é uma atitude no mínimo indigna da maternidade.
A desculpa do “trabalho” não me comove, porque não é de hoje que as escolas fecham entre dezembro e fevereiro. Contudo, é algo bem recente essa geração de pais e de mães que enxergam o colégio e os professores como cuidadores primários de seus filhos e que deveriam estar disponíveis em tempo integral, 12 meses por ano. Nunca esqueço o relato da dona de uma escola infantil contando que uma mãe solicitou que estendessem o horário até 20 horas para que ela pudesse ir para a academia. Disse a tal mãe: “É um absurdo pagarmos uma mensalidade tão alta e ter que vir correndo pegar meu filho às 18 horas”. Absurdo é esse monte de adultos infantilizados que procriaram por escolha própria, mas não têm a maturidade de encarar o compromisso de educar e de zelar pelo equilíbrio físico, emocional e intelectual das crianças. Dá raiva ver isso, mas também dá tristeza.



