Adoro café. Um dos meus prazeres favoritos é passar por alguma cafeteria e pedir um espresso. Quase sempre, o meu espressinho vem acompanhado de um mini copinho de água mineral com gás que eu, num ato corriqueiro de preferir a arrogante suposição do que realmente saber do que se trata, achava que servia só como uma cortesia para aplacar a sede pós-cafeína. Pois bem, agora sei que a água tem uma função muito mais importante.
Segundo um artigo do portal gastronômico Tasting Table, os italianos começaram essa tradição de servir água mineral com gás para melhorar a experiência sensorial de degustação do espresso. A água — que eu imbecilmente tomava sempre depois do café — deve ser bebida antes para limpar as papilas gustativas e preparar o paladar para melhor apreciar as nuances dos grãos, o tipo da torra, o aroma, a acidez, o corpo. E só fui saber disso tudo ontem porque me deparei com o texto Por Que os Italianos Servem Espresso Com Água Mineral com Gás – e Por Que Você Também Deveria Fazer Isso.
Muito provavelmente só sabia a verdade por trás da água mineral com o espresso quem fez curso de barista ou quem trabalha com cafés num nível mais profissional — ou talvez um “caféchato”, o parente do “enochato” (aqueles malas obcecados por vinhos que ficam horas dissertando sobre aromas, notas, cor, safras com um ar esnobe e colocam em segundo lugar a parte boa de realmente curtir um vinho, tomá-lo). Mas esses tipos esquisitos merecem uma coluna só para eles...
Na verdade, mais do que adorar café, eu amo aprender, mesmo as pequenas coisas. E já com 50 anos de idade minha postura diante de mais um aprendizado, por aparentemente menor e mais irrelevante que seja, é ficar maravilhada. Confesso que ao ler o artigo sobre o espresso e a água mineral eu não parava de sorrir pensando “Mas então é por isso!”. Saber o porquê de algo tão simples, e que eu até então ignorava ou atirava na vala da presunção, é um deleite. Por outro lado, fiquei me cobrando um pouco por não ter nunca, jamais, perguntado numa cafeteria por que serviam o espressinho com o tal copinho de água do lado. Pode até ser que em alguns lugares alguém respondesse “É que fazem assim sempre”, sem nunca ter questionado o porquê de ser sempre assim. Uma lástima não se interessar em descobrir o porquê das coisas.
Fiquei me questionando sobre outras tantas situações em que presumi alguma coisa em vez de perguntar, inclusive com relação a coisas maiores e mais importantes que um cafezinho. Quando a presunção vence a curiosidade, acabamos perdendo oportunidades excelentes de aprender, de evoluir, de elucidar mistérios, de destravar mal-entendidos ou de apenas sorrir diante de mais uma coisa interessante que a vida e seus sutilezas nos proporcionam.


