“Nada na história é inevitável. A história nunca é determinista. As pessoas fazem escolhas.”
Yuval Noah Harari, historiador
Um dos princípios básicos do estoicismo é o de que sempre há escolha, mesmo nas nas situações mais desfavoráveis. Podemos sempre escolher como reagir ao que nos acontece ou ao que nos é ofertado, e há muito poder nisso. Dias atrás, li um texto publicado pelo portal Marketing Insider que comparava o que crianças chinesas acessam na internet. O título era “Como a China treina pequenos prodígios, enquanto o Brasil treina palhaços”.
Todo mundo sabe que a educação pública nos países asiáticos está a anos-luz da nossa. Hoje, um estudante lá na China já tem aulas de Inteligência Artificial em toda a educação básica e avança com conteúdos de lógica e machine learning, tudo isso antes mesmo de ingressar no Ensino Médio. Aqui, segundo os resultados do PISA 2022, que avaliam alunos na faixa dos 15 anos de idade, o Brasil sequer consegue a média de 365 pontos em Matemática, muito abaixo da média dos países da OCDE, que fica em torno de 505 pontos.
Contudo, o mau desempenho no PISA não é apenas algo relacionado à escola em si, é muito pior que isto: é cultural e é um reflexo do que os brasileiros realmente valorizam ou pelo que se interessam. No texto, observa-se que o conteúdo disponível na rede Douyin (o TikTok lá na China) é 99% voltado à educação, arte, ciência, inovação. Mesmo assim, o acesso é limitado a 40 minutos por dia. E como é aqui no Brasil? Desde muito pequenas, nossas crianças passam horas e horas hipnotizadas diante das telas consumindo porcaria, com um bando de youtubers fazendo palhaçada e gerando doses cavalares de dopamina vazia. E quem permite que as crianças e adolescentes acessem isso? A própria família sendo negligente demais, ou desinformada demais.
A consequência mais séria dessa superexposição às telas sem a devida supervisão é que o cérebro infantil se acostuma a buscar estímulos rápidos e superficiais, o que prejudica a atenção, a paciência e a capacidade de aprender de forma profunda. Além disso, o excesso de dopamina gerado por esse tipo de conteúdo pode reduzir o interesse por atividades mais desafiadoras: ler, estudar, pesquisar, praticar esportes ou se concentrar, o que acaba levando a episódios de ansiedade, irritação e baixa tolerância à frustração.
O mais importante é que há escolha: existem muitos bons conteúdos disponíveis online, basta procurar. O que uma criança chinesa pode acessar sobre arte e ciência, nós também podemos. Mas se a mãe está olhando o centésimo vídeo da tal Vírginia ou lendo mais uma fofoca de subcelebridade, não vai ter moral para querer que seus filhos acessem algo de mais qualidade.





