
Celestino Oscar Loro, 48 anos, é o candidato da chapa única que concorre à presidência da CIC Caxias. Acompanhado de uma cuia de chimarrão e um bom-humor invejável, o futuro presidente da entidade nos atendeu na última quinta-feira e contou um pouco mais sobre as expectativas para 2022, quando deve assumir o posto principal de uma das principais instituições econômicas do Estado.
Natural de Nova Pádua, Loro mora há mais de 30 anos em Caxias. Divide a casa em Nossa Senhora da Saúde com a esposa, a psicanalista Ivandra, e os filhos Guilherme, 12 anos, e Caroline, 8.
Graduado em Ciências Contábeis pela UCS, tem especializações na área de Contabilidade Gerencial e Finanças, Administração Financeira e Gestão Empresarial. É sócio-fundador da Di Fatto Contabilidade e Assessoria Ltda há 27 anos.
Loro também já ocupou o cargo de presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis, Assessoramento e Perícias da Serra Gaúcha (Sescon-Serra Gaúcha) de 2004 a 2006. Na CIC Caxias, entrou por meio da CIC Jovem e foi vice-presidente nas gestões de 2012 a 2015.
Quando você se mudou de Nova Pádua para Caxias do Sul, como foram as primeiras experiências profissionais?
Sou caxiense há 31 anos e empresário há 27 anos. Eu vim para Caxias para estudar e trabalhar. Eu sou fruto do ensino público, onde estudei a vida toda até ir para a faculdade, que fiz às próprias custas, sem bolsa. Essa cidade nos oportuniza feitos incríveis. Caxias cresce a um ritmo chinês há 20 anos. Nada se compara ao crescimento dela na região e no Estado. Eu costumo brincar que para nós, “invasores”, Caxias é um mar de oportunidades.
Foi por isso que decidiu empreender em Caxias?
As universidades nos formam bons técnicos, mas, infelizmente, não nos dão experiências de empreendedorismo que têm muito mais facetas do que a própria técnica. Precisamos aprender de marketing, de pessoas, de inovação, de rentabilidade, de prospecção de mercados. É uma esfera muito mais ampla. Mas o segredo de qualquer empresa são as pessoas. Se não tiver elas na organização, a empresa não prospera. Costumo dizer que a parte mais fácil é comprar máquina, prédio e terreno. Difícil é ter pessoas próximas que façam a diferença.
Desde quando você integra entidades representativas?
Eu comecei com o Diretório Acadêmico (DA) de Ciências Contábeis da UCS. O Emir (Emir José Alves da Silva, presidente do Conselho Deliberativo da CIC) era do DA de Administração. Depois também fui para o Sescon. A CIC Jovem foi a minha porta de entrada nesta entidade. Integrei uma das primeiras turmas em 1998 na gestão de Nelço Tesser. As coisas vão acontecendo e convergiram para que agora eu fosse candidato a presidente. Nesses mais de 20 anos, nunca fiquei de fora da CIC. Creio que isso também deve ter despertado a indicação do meu nome.
Cada presidente da CIC imprime uma marca, aposta em algumas bandeiras. Qual deve ser o seu perfil no comando?
Eu acredito muito que o capital não gosta de ser maltratado, de ambiente hostil. Ele pode estar aqui, em Porto Alegre, São Paulo, Ásia... Ele se move muito rapidamente. Mas para todos, seja lá qual for a atividade, só vai haver uma vida melhor se tiver investimentos. E o capital só vem com ambiente favorável. Tributos, democracia, infraestrutura são parte deste ambiente, assim como ambiente político confiável, soluções de continuidade... É importante que não tenhamos um ambiente com uma ruptura atrás da outra. É preciso buscar proporcionar um bom ambiente para que os investimentos aconteçam. Quanto melhor for a infraestrutura, tivermos menos burocracia, tanto melhor. E quando falamos de investimentos, falamos de emprego, falamos de pessoas. Nesses 120 anos da CIC, ela sempre buscou melhorar a vida das pessoas. Um exemplo é a Rota do Sol. Os usuários são pessoas, mas claro que ela também melhorou as condições para os investimentos. Quando falamos em aeroporto, que é uma bandeira histórica de 30 anos da CIC, além de condições melhores para negócios, ele vai servir para que as pessoas tenham mais acesso ao mundo.
Você começou na CIC Jovem, será um dos presidentes mais jovens da entidade. Você pretende renovar a CIC?
A CIC, como todas as nossas empresas associadas, é um ser vivo. E precisa de cuidados, de renovação, inovação, de ambientação do momento... Tudo que está acontecendo com nosso associado precisa acontecer aqui. Precisamos evoluir junto com eles. Sempre uso exemplo de que uma empresa é igual a uma árvore. Você rega quase todos os dias, poda, tira folhas secas, colhe os frutos. Mas, se abandonar, ela vai sucumbir. A CIC precisa se renovar com ideias, novos propósitos, mas nunca se afastando da história, porque quem não tem história não tem futuro.
Você deverá assumir a presidência em um ano no qual todas as atenções estarão voltadas para as eleições. Como a CIC deve atuar neste sentido?
Um tema que já está muito em voga é a representação política da região. Nós precisamos representantes fortes em Porto Alegre e Brasília. A gente vai buscar articulação com todos os candidatos. Hoje se discute muito pessoas, mas se discute muito pouco os projetos. Se a ideia é boa, independentemente de onde vier, ela precisa contar com nosso apoio.
Diante destes cenários político e econômicos, o que esperar para a região em 2022?
A gente tem algumas dúvidas no horizonte. Primeiros precisamos entender como ficarão as questões de abastecimento em relação às matérias-primas pelo descompasso que tivemos neste ano com preços. Temos ainda problemas em fornecimento de semicondutores. Isso ocasiona também que consumidores vejam os produtos mudando de preço todo dia. Vai haver dificuldade para comprar eletrônicos no final do ano. Temos setores que estão retomando, como o do entretenimento, mas temos que entender melhor o estrago feito pela pandemia na área de serviços para ver em que patamar vamos estar no ano que vem. Mas, por natureza, sou um otimista. Em cada dificuldade, também vejo oportunidade. Se tivermos dificuldades, vamos superar.



