
A reeleição do diretor da Móveis Pozza, Vinicius Benini, como presidente do Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis) para os próximos dois anos ocorreu semana passada. E chama atenção o papel que ele vem desempenhando à frente de movimentos e eventos importantes, como a Movelsul Brasil, que será realizada em março de 2022, e a unificação administrativa com a Associação das Indústrias de Móveis do Estado (Movergs), iniciada em setembro.
E tudo isso aos 33 anos. É o mais jovem presidente na história do Sindmóveis, representante do polo regional formado por 300 indústrias. Graduado em Comércio Internacional pela PUC/RS, tem MBA em Marketing com Ênfase em Vendas (FGV) e comenta a recuperação do setor com a pandemia.
Aos 33 anos, é o mais jovem presidente da história do Sindmóveis. Como se tornou essa referência no setor?
Com muita tranquilidade, posso dizer que meu pai, Volnei Benini, é uma inspiração e, em vários momentos, alguém em quem me espelho. Ele tem uma sólida contribuição ao setor moveleiro com sua atuação por mais de 20 anos junto ao Sindmóveis e Movergs. É dele que herdo esse anseio em dedicar tempo e trabalho em prol do setor moveleiro. Não vejo como minha empresa possa crescer isoladamente, sem que tenhamos um ambiente propício a toda indústria moveleira e um polo competitivo no mercado. Antes de ser eleito presidente para a gestão 2019/2020, já vinha atuando no Sindmóveis: primeiro como diretor de Infraestrutura no triênio 2014/2016 e depois como vice-presidente e diretor comercial no biênio 2017/2018. Já são sete anos participando da diretoria, portanto.
Há pouco, foi anunciada a unificação da Movergs e Sindmóveis. Como foi projetar e operacionalizar a mudança?
Realmente, foi uma decisão inédita e que altera o curso das entidades, que sempre tiveram sede na mesma cidade. Ocorre que, nos últimos cinco anos, as entidades estreitaram seus laços, atuando conjuntamente em demandas políticas e administrativas. As trocas se intensificaram especialmente após a inauguração do novo Centro Empresarial de Bento Gonçalves, em 2017, e passou a congregar entidades empresariais, entre elas Sindmóveis e Movergs. Até o momento, a unificação da equipe operacional está servindo principalmente aos preparativos para a Fimma Brasil 2021, que é um dos principais eventos mundiais de máquinas, matérias-primas e acessórios para o setor moveleiro, sendo realizado pela Movergs desde 1993.
Depois de anos de crise, veio a pandemia, mas o setor se recupera de uma forma que faz alguns empresários temerem uma “bolha”. Qual a tua visão sobre o momento atual e a projeção diante de um cenário de incertezas?
O setor ainda não se recuperou da crise de 2015 e 2016 e vinha batalhando para a retomada de índices positivos quando fomos acometidos pela pandemia. O ano de 2019 já não tinha sido um ano exatamente bom, tivemos um crescimento de 5% no faturamento do polo moveleiro, mas isso não representou um crescimento real. Ou seja, consideramos que no ano passado o setor ficou praticamente estagnado. Nos dias atuais, a produção, faturamento e empregos estão muito abaixo dos níveis de 2013 e início de 2014. No segundo trimestre deste ano, tivemos um dos piores desempenhos na história do setor e, atualmente, a indústria de móveis conseguiu engrenar num caminho de recuperação. A geração de empregos no mês de setembro fez com que o segmento moveleiro superasse o saldo de postos de trabalho do início de 2020 pela primeira. Entretanto, nossa ideia é de que o setor somente vai retomar os níveis de crescimento de antes da pandemia por volta de 2022.
Que tipo de móvel está sendo buscado na pandemia?
O novo cenário faz com que as pessoas fiquem mais tempo em suas casas, muitos buscam maior conforto e funcionalidade em seus lares. Home office, assistir a lives e aulas virtuais viraram atividades corriqueiras, por exemplo. Muitos consumidores buscaram e ainda buscam móveis nesse novo contexto. O e-commerce é um caminho sem volta e sem dúvidas a pandemia acelerou este canal. Para empresas que ainda não estão inseridas, é importante que iniciem o quanto antes, e um caminho natural para o início são os marketplaces. Há que tomar cuidado em escolher aqueles cujo volume ofertado pode ser limitado, de forma que a empresa não se queime no mercado e consiga avançar aos poucos sua inserção, frente à demanda.
Como se manter como principal polo moveleiro do país, mesmo com outros Estados ganhando cada vez mais espaço no setor moveleiro?
A Serra Gaúcha continua sendo o principal polo de móveis do país. Os mais recentes índices do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI) validam essa informação, embora haja outras regiões que possam utilizar maior número de chapas ou até mesmo tenham mais mão de obra empregada, especialmente se compararmos municípios. Estima-se que o valor da produção da região foi de aproximadamente R$ 10,5 bilhões em 2019, ou 16% do total do Brasil, quase o dobro da segunda colocação. São mais de 35 mil empregos diretos em quase mil indústrias no polo da Serra Gaúcha, contra 22,7 mil empregos em cerca de 600 indústrias no polo na segunda colocação. Atribuímos a liderança a um elevado desenvolvimento de tecnologia e inovação em nosso polo, o que coloca a nossa região como referência também no segmento de fornecedores da indústria moveleira. Nossa produção é considerada por especialistas como “flexível”. Ou seja, nosso polo consegue produzir móveis personalizados e, ao mesmo tempo, obter volume de produção, caso da indústria de planejados, o que torna nossas empresas capazes de atender demandas diferenciadas do varejo. Temos um parque fabril moderno, com equipamentos de controle numérico, conceito enxuto, processos organizados, e redução do desperdício – o conceito de processo lean. Uma produção com alto emprego tecnológico demanda menos pessoas. Contudo, a completude de nosso polo gera empregos em vários setores aderentes à cadeia de madeira e móveis.
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