
Análise dos dados de comercialização de vinhos feita pela Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-RS) aponta que o vinho brasileiro teve aumento de consumo nos primeiros meses do ano. O crescimento maior das vendas foi para os vinhos finos, com incremento de 39% de janeiro a abril em relação ao mesmo período do ano passado.
Com base nos dados do Cadastro Vinícola, mantido por meio de parceria entre a União Brasileira de Vitivinilcura (Uvibra), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul, a comercialização somou 4,4 milhões de litros de vinhos finos, ante 3,2 milhões de litros do primeiro quadrimestre do ano passado.
Apesar do levantamento considerar apenas dois meses da pandemia, março e abril, ABS e Uvibra destacam que a quarentena está sendo positiva para o setor, porque as pessoas consomem mais vinhos em casa e aumentaram também as vendas pela internet.
Mas a maioria do vinho consumido no Brasil ainda vem de fora. De um total de 35 milhões de litros de vinhos finos nacionais e importados no período, 30,6 milhões são de outros países. Os importados tiveram um acréscimo de 7% em relação ao ano passado. O destaque vai para Portugal, que fica na segunda posição do ranking, à frente de Argentina e Itália. O Chile segue na liderança.
No total, incluindo os vinhos de mesa, foram comercializados 97 milhões de litros, um crescimento de 21% em relação ao mesmo período do ano passado. Com o cancelamento de eventos no Brasil inteiro, quem sofreu foram os espumantes. A queda geral na venda dos rótulos borbulhantes no país é de 11,9%. Os brasileiros sofreram mais: a comercialização caiu 25%. Os moscateis tiveram queda de 4%. Só os espumantes importados cresceram 2%. O início do ano, porém, não é representativo em termos de vendas de espumantes no Brasil, porque 70% destes produtos são comercializados no último quadrimestre do ano.
Vinícolas exportam para a Ásia
Como o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer para ampliar o consumo de vinhos finos nacionais, as cooperativas da Serra buscam as exportações como alternativa. E um dos principais mercados na mira das vinícolas da região é o da Ásia. A Vinícola Aurora ampliou em 71,7% exportações para este continente. É o resultado do embarques de 114,3 mil garrafas para China, Hong Kong e Japão, e ilustra a retomada dos negócios com os primeiros países atingidos pelo coronavírus. Em valor, o crescimento foi ainda maior, de 133,7%, de janeiro a maio.
As exportações também cresceram 270% na Cooperativa Vinícola Garibaldi Pela primeira vez, os produtos da marca serão embarcados para Japão e Taiwan. São cargas que ultrapassam o total de 15 mil garrafas. O maior pedido está direcionado ao Japão, 4,2 mil garrafas de Moscatel Rosé e outras 1,1 mil de suco integral. Outro país com quem a Cooperativa Vinícola Garibaldi inaugura relação comercial é Taiwan, com 500 garrafas de espumantes.



