
Entre as seis cadeiras (duas para o Senado) de cinco cargos que o eleitor terá que escolher no próximo domingo (4), há duas que costumam receber menos atenção por parte dos eleitores, mas desempenham um papel fundamental para os rumos da administração pública e da democracia. Trata-se dos deputados federais e deputados estaduais.
A escolha deles segue a lógica proporcional, muitas vezes de difícil compreensão ao eleitor, mas que distribui as vagas no parlamento entre os partidos de forma proporcional aos votos que cada um obteve. Já os candidatos que serão efetivamente eleitos seguem a lógica majoritária dentro de cada partido.
A ideia é que essa distribuição simule as correntes políticas existentes na população, a quem os deputados efetivamente representam (os senadores têm número de vagas fixos e representam os Estados).
Os ocupantes dessas cadeiras não têm o poder individual de criar políticas públicas, mas podem influenciar os rumos das discussões que ocorrem no Congresso Nacional e nas Assembleia Legislativas. É também uma tarefa dos parlamentares articular o encaminhamento de demandas de suas bases eleitorais junto ao Executivo estadual e federal.
Nas últimas legislaturas, os deputados federais têm também conquistado mais poder com um maior controle sobre o orçamento via emendas parlamentares. São recursos que os próprios deputados (e senadores) escolhem o destino. Com muita frequência, esse destino são projetos nas próprias bases eleitorais, que não dependem das decisões dos governos para receber recursos.
Atualmente, a Serra conta com cinco deputados estaduais e dois deputados federais, mas já houve eleições em que a Serra ficou sem representação.
A coluna ouviu presidentes de quatro entidades representativas de Caxias para entender a importância de ter deputados da região nos parlamentos. Confira:
"É extremamente importante ter representantes. Se tiver de Caxias, melhor, mas se tiver da Serra já é perfeito. Tentamos construir para não ter tantas candidaturas e dividir votos, porque são muitos candidatos, e tentamos trabalhar para ter um voto consciente. É extremamente importante que a população olhe para os pratas da casa. Quando há representantes diretos, é importante porque eles acabam fazendo a diferença. É importante porque pode ter direcionamento financeiro para a região, mas ele também precisa legislar om base nas demandas da região. Ele precisa defender as pautas e ser aberto ao diálogo".
Ubiratã Rezler, presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias (CIC Caxias)
"Ter representação é fundamental para ter espaço, voz nas decisões. Nossa região produz muito e nem sempre volta. Hoje o empresário está muito sem previsibilidade de futuro e precisamos de leis claras. Precisamos eleger pessoas que tenham olhar amplo e ético, que entendam a realidade e que tenham é ética na hora de tomar decisões. Políticos muitas vezes fogem de pautas impopulares".
Márcia Costa, presidente do Sindilojas Caxias
"A importância é a representatividade. Deputados da Serra devem obrigatoriamente ter um comprometimento maior com as demandas e as necessidades elencadas pelas associações, pelos movimentos.
O Mobi Caxias fez um documento chamado Agenda Eleições 2026, onde nós apontamos as demandas importantes que a nossa região tem e exige do poder público. Então, eleger deputados vinculados à nossa região, preferencialmente de origem aqui de Caxias, de Bento, Farroupilha, Garibaldi e outras cidades da região é fundamental para que nós tenhamos o mínimo de atendimento das nossas necessidades.
Se fizermos um levantamento dos últimos 20 anos, todo o esforço, toda a produção, toda a geração de impostos que acontecem aqui na serra, não tem a contrapartida em termos de infraestrutura, educação, saúde, segurança. Nós vivemos eternamente passando o pires, fazendo demandas e elas são dificilmente atendidas".
Jaime Marchet, presidente do Mobi Caxias
"Ter deputados estaduais e federais da Serra Gaúcha é importante para que as demandas e características da região estejam presentes nos espaços onde são tomadas decisões que afetam a economia e a vida da população. O fundamental é que esses representantes tenham capacidade de diálogo, articulação e compromisso com a região, contribuindo para a busca de recursos, investimentos e soluções para pautas importantes dos setores econômicos e da comunidade como um todo."
Mauro Andreazza, presidente da CDL Caxias




