
Melancólica pode ser uma boa palavra para definir a campanha eleitoral de 2026. Pouco mais de um mês depois do início das atividades oficiais de divulgação das candidaturas e discussões de propostas, os personagens mais mencionados, fora os próprios postulantes aos cargos, foram Daniel Vorcaro, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e até Nossa Senhora Aparecida. Personagens que nem estarão nas urnas.
São nomes com importância nata ou adquirida, sem dúvida, mas aqui quero me ater ao personagem mais esquecido: o eleitor. A cada quatro anos, o brasileiro se vê às voltas de decidir diretamente os rumos que pretende dar ao país.
Mas se alguém tinha a esperança de ter projetos na mesa para analisar, minha solidariedade. Foi uma campanha em que, mais uma vez, país e estado ficaram em segundo plano. O brasileiro vai às urnas sem saber claramente como os candidatos pretendem solucionar os problemas que afligem o país.
Em âmbito nacional, as coligações e os candidatos negaram até mesmo a possibilidade do confronto de ideias nos debates. Parece que o eleitor não importa mesmo. Importa o impacto que o próximo escândalo ou a próxima decisão judicial pode ter na candidatura adversária.
Uma ressalva, no entanto, é preciso fazer: há um clima menos propício à violência política e às brigas de família do que em eleições anteriores. Mas isso não ocorre por uma evolução democrática. O motivo é a apatia e a desesperança do brasileiro diante do que vê. A polarização venceu o eleitor no cansaço.
De toda forma, a participação nas decisões ainda é o melhor caminho para buscar um rumo melhor. Cada voto importa neste domingo, nem que seja naquele o eleitor julga ser o menos pior.

