
O mais novo debate nas redes sociais em Caxias é a implantação de uma lombada na BR-116, próximo à delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF), no bairro São Ciro. As manifestações vão desde vídeo de carro "voando", ao motorista sendo surpreendido pelo dispositivo, a reclamações de trânsito mais travado do que o normal.
O motivo da implantação da lombada é nobre: garantir a segurança do tão esquecido pedestre na travessia da rodovia. No entanto, também escancara a dificuldade em se construir soluções definitivas para a rodovia — que atualmente nada mais é do que uma perimetral leste.
Quando se opta por garantir a segurança do pedestre via lombadas, o impacto no trânsito é inevitável. A própria colocação de obstáculos físicos em rodovias é algo que foge ao entendimento mais elementar nas normas de trânsito, inclusive por gerar risco.
A travessia de pedestres, nesses casos, deveria ocorrer por meio de passarelas. No entanto, existe apenas um dispositivo do tipo na BR-116, construído a duras penas. Pouco usado, é verdade, mas está lá.
Na medida em que não há perspectiva de se implantar algo mais robusto, se trabalha com o que se tem, e o que se tem é muito pouco.
Os 13 cruzamentos com semáforos na rodovia seguem a mesma lógica: garantem a segurança, mas travam a mobilidade da cidade. O novo acesso ao bairro Planalto, por exemplo. É evidente que houve melhoria e amenizou um ponto de alto risco. Mas é consenso que um entroncamento em nível ali já não é mais adequado.
Ocorre que, nesta obra, o município já fez mais do que a obrigação, que originalmente é do governo federal. Enquanto recursos vultuosos foram aplicados na mesma rodovia na Região Metropolitana de Porto Alegre nos últimos anos, a Serra está na expectativa de ganhar um único viaduto, justamente no ponto onde foi colocada a lombada.
Se as perimetrais de Caxias pedem elevadas em alguns pontos, o que dizer de uma rodovia federal que faz as vezes de perimetral? Mas não. Nos acostumamos a resolver os problemas pontualmente e empurrar com a barriga a solução definitiva. Nos contentamos com pouco, mas chegamos no limite.

