
O que já era praticamente consenso nos bastidores agora é oficial. O prefeito Adilo Didomenico anunciou, em vídeo nas redes sociais, o arquivamento (ao menos temporário) do projeto de construção da policlínica em Caxias do Sul. O edital de licitação, que chegou a ser lançado, já estava suspenso.
O motivo é justamente o que vinha colocando em dúvida a viabilidade do projeto: a indisponibilidade financeira do município. Além da contrapartida estimada em R$ 11 milhões, o custeio da unidade, estimado em R$ 100 milhões ao ano era o que mais preocupava.
Ao mesmo tempo, tem ganhado força dentro do Executivo a ideia — ainda em fase inicial — da federalização do Hospital Saúde. A unidade está em recuperação judicial e poderia ser entregue à União para o pagamento de dívidas. A avaliação é de que a estrutura poderia abrigar serviços que seriam oferecidos na policlínica e ainda contar com leitos e centro cirúrgico.
— A recuperação do Hospital Saúde oferece as condições ideais daquilo que o município precisa — disse Adiló, que também citou o andamento da construção das unidades básicas de saúde (UBS) Vila Romana, Vila Cristina e Imigrante, além da futura nova estrutura do Vila Ipê.
A opção de priorizar a proposta do Hospital Saúde também fica clara na medida em que a administração não tinha intenção de utilizar recursos do empréstimo de até R$ 490 milhões que será encaminhado para pagar a contrapartida da policlínica. Parte do montante será usado exatamente para esse fim em outras obras.
Estratégia
O anúncio ocorre no primeiro dia do recesso de inverno da Câmara, que suspende as sessões até o início de agosto.
A policlínica — e a saúde, de modo geral — é um assunto bastante abordado pela oposição, que não terá como explorar a decisão no Legislativo nas próximas semanas. E em 15 dias muita coisa pode acontecer para ajudar a baixar a poeira do tema.




