
O novo modelo de transporte seletivo, em substituição aos "azuizinhos", anunciado pela Secretaria de Trânsito de Caxias do Sul nesta segunda-feira (29), tem uma diferença essencial em relação ao que vem operando até hoje. Em vez de permissionários individuais que conquistaram o direito de explorar as linhas, o serviço será agora oferecido por uma empresa. No caso, a Visate, que irá incorporar as linhas à malha que já opera.
A solução não é de todo ruim, uma vez que a grande dificuldade de enquadrar o serviço atual na legislação é a necessidade de investimento alto na renovação da frota — algo que a Visate tem condições de entregar.
A operação, no entanto, será diferente das demais linhas, mantendo o embarque e o desembarque em qualquer ponto, e contando com ar-condicionado e outros itens de conforto. Essa diferença, que atende à legislação do serviço, também tem um preço 20% superior à tarifa dos ônibus normais. O valor ainda está em discussão, mas, considerando a tarifa técnica de R$ 9, é plausível se projetar algo em torno de R$ 10,80.
A opção pela Visate era a mais óbvia do ponto de vista administrativo. A dúvida agora é se a população vai passar a enxergar as linhas como uma opção alternativa ou se será apenas uma linha de ônibus mais cara. Mais do que isso: a modalidade vai conseguir competir com os aplicativos, com tempo de deslocamento previsível e valor semelhante?
A propósito
O prazo de 90 dias estabelecido para o fim do serviço inviabiliza qualquer processo seletivo para um eventual novo operador das linhas. No entanto, o período foi estipulado pelo próprio município, que empurrou com a barriga por mais de 10 anos o problema dos atuais contratos.
No fim das contas, a solução não exigiu grande criatividade administrativa ou jurídica. O que leva às perguntas: não poderia ter ocorrido antes? E se não poderia ter ocorrido antes, por que o prazo de 90 dias para extinção do atual modelo, em vez de estender a operação pelo período necessário para uma nova licitação?





