
Caxias deu início, nesta sexta-feira (19), aos debates para a revisão do Plano Diretor do município em uma reunião com integrantes de um dos mais respeitados escritórios de arquitetura e urbanismo do país, o Jaime Lerner Arquitetos Associados, de Curitiba.
Os arquitetos Fernando Canalli e Gianna Rossanna de Rossi apresentaram referências e reflexões desenvolvidas em projetos de Curitiba — uma das cidades mais lembradas em planejamento urbano — e outros municípios.
Antes da reunião desta sexta, ambos aproveitaram a quinta-feira (18) para circular pela cidade e visitar espaços como o Monumento ao Imigrante, a Av. Júlio de Castilhos, passando pelo Centro, túnel de LED, Estação Férrea e Maesa.
Questionado por uma participante sobre qual ponto tem o maior potencial para qualificar a cidade, Canalli não pensou duas vezes:
— O coração seria a Maesa. Ali está o coração adormecido, que, se mexer nele, volta a bater e bombeia para a cidade inteira — descreveu.
A reflexão envolve o poder do empreendimento em atrair pessoas e, consequentemente, agregar valor para essa região da cidade. Isso automaticamente torna o entorno mais interessante para novos projetos e empreendimentos.
A Maesa, contudo, não foi o único ponto destacado pelo arquiteto, que citou Galópolis e as casas da antiga Vila Operária como "inesquecíveis".
— A arquitetura daquilo lá (Vila Operária) é mais bonita do que o pós-guerra construído em Londres. É tijolinho aparente. Como é que você vem com um turista e não leva para Galópolis para conhecer? Ninguém sabe que aquilo existe, nem eu sabia — provocou.
Conceitos
Ao longo da reunião, que se estendeu por toda a manhã, Canalli listou conceitos que guiam um bom desenvolvimento urbano. Entre os exemplos está o poder público como indutor do investimento privado de uma determinada região — conceito em que se encaixa a Maesa — e respeito ao passado na hora de planejar o futuro.
— Tratem com carinho tudo aquilo que têm, nunca enxerguem o defeito. A gente não pode rasgar a fotografia da família.
A criatividade foi outro ponto destacado, principalmente na hora de pensar em soluções para problemas como mobilidade, áreas de risco e gestão de resíduos, entre outros.
UAB se diz preocupada
A União das Associações de Bairros (UAB) encaminhou à Câmara de Caxias uma carta manifestando preocupação com o novo projeto de lei que autoriza a concessão da Maesa, encaminhado pelo Executivo. O questionamento é em relação à denominação do projeto, antes tratado como "Mercado Maesa" e agora chamado de "Maesa - Setor Leste".
O temor é de que a nova nomenclatura enfraqueça o projeto do mercado público e descaracterize a vocação pensada para o espaço. Na justificativa do projeto de lei, o Executivo afirma que "a medida visa conferir maior precisão técnica e aderência à atual concepção urbanística e funcional do empreendimento".
A proposta protocolada na Câmara faz poucas alterações na legislação aprovada em 2023 para autorizar a concessão. Além do nome, o texto oficializa a nova dimensão da área a ser concedida, que compreende toda a metade leste do complexo. Os detalhes do projeto atualizado, contudo, serão revelados somente após a aprovação da nova lei.




