
Até serem rejeitadas na manhã desta terça-feira (23), as denúncias contra o vereador Hiago Morandi (Novo) foram motivo de muita articulação nos bastidores da Câmara, que se arrastam desde a última semana, quando os documentos foram protocolados.
O auge das articulações ocorreu na tarde de segunda-feira (22), quando o ex-prefeito Alceu Barbosa Velho, cujo escritório de advocacia foi contratado para a defesa de Hiago, costurou a união das duas denúncias em uma só. Alceu, inclusive, esteve pessoalmente na Câmara conversando com o presidente, vereador Wagner Petrini (PSB). O parecer do jurídico da Casa — classificado por Alceu como "extremamente técnico" — foi publicado cerca de uma hora depois. O setor avaliava qual o melhor andamento para as denúncias desde a manhã.
As discussões envolveram o fato de as duas denúncias estarem alicerçadas em legislações diferentes. A primeira, protocolada na tarde de quarta-feira (17), pedia à Comissão de Ética da Casa a penalidade de suspensão do mandato ou uma censura por escrito. No mesmo dia, às 19h, foi encaminhado à Câmara um pedido de cassação de Hiago. Processos do tipo seguem o rito do Decreto-Lei nº 201/1967, que não prevê punição intermediária.
Oficialmente, contudo, o pedido de cassação foi recebido apenas na quinta-feira (18), o que inviabilizou a análise já na sessão daquele dia, apesar da articulação de parte dos vereadores para tentar incluí-lo na pauta. Tradicionalmente, pedidos de cassação vão à votação na primeira sessão após o protocolo.
Com duas denúncias sobre o mesmo fato, a defesa de Hiago sustentou junto à Câmara o entendimento jurídico que determina a junção dos processos em um só, prevalecendo o que primeiro for protocolado. Dessa forma, a análise do caso nesta terça seguiu o rito da Comissão de Ética.
Foi a partir desse movimento, e da presença de líderes partidários para conversar com as bancadas nesta segunda, que os ventos também começaram a mudar. Até a última semana, a aposta nos bastidores era de que o processo contra Hiago pudesse ser aceito.
Mal-estar
Entre os partidos mais visivelmente divididos na votação esteve o PDT, partido também de Alceu Barbosa Velho.
O vereador José de Abreu, o Jack, votou pela admissibilidade do processo, enquanto a vereadora Andressa Mallmann se posicionou de forma contrária. A divisão gerou desconforto em setores do partido.






