
O acordo realizado em meio ao feriadão de Caravaggio encerrou a primeira paralisação de equipes das UPAs de Caxias, mas nem de longe resolveram todas as pendências envolvendo o Instituto Ideas, que administra as unidades. Os profissionais, aguardavam a regularização da situação até o fim da semana.
O encaminhamento não se confirmou e a possibilidade de uma nova paralisação começou a ganhar força no fim de semana. Mesmo assim, em uma reunião com os 23 vereadores na segunda-feira (1), o prefeito Adiló Didomenico disse que a administração municipal havia conversado com o sindicato e não trabalhava com o risco de greve.
Não foi o que aconteceu: à meia-noite desta terça-feira (2) as equipes voltaram a paralisar reivindicando, inclusive, pagamentos de meses anteriores, pelo quais o município repassou o recurso, mas o Ideas não encaminhou os pagamentos.
Na sessão da Câmara, pela manhã, vereadores reagiram imediatamente para cobrar do município um encaminhamento. Um grupo de vereadores, a maior parte da oposição, chegou a fazer uma reunião informal no saguão do plenário para definir que ação tomar no âmbito do Legislativo.
A definição foi por chamar o secretário Rafael Bueno, que rapidamente compareceu e foi sabatinado em um espaço de Tribuna Livre não previsto inicialmente na sessão, mas aberto diante da crise.
À imprensa e posteriormente aos vereadores, Bueno anunciou o rompimento do contrato com o Ideas na próxima terça-feira (9) e a contratação de outra empresa em caráter emergencial, com contrato de 90 dias, mas que deve se tornar definitivo depois desse prazo. O processo de rompimento contratual tramitava desde janeiro.
Outra medida anunciada foi a retenção de R$ 6 milhões como compensação de valores pagos ao Ideas, mas cuja utilização não foi devidamente comprovada. A regularização do pagamento mais recente deve ocorrer diretamente aos funcionários, sem passar pelo instituto. Além disso, o secretário afirmou que o município deve entrar com ação para a Justiça decretar a ilegalidade da greve, uma vez que não houve o aviso formal com a antecedência necessária.
A nova empresa
Rafael Bueno não disse qual deve ser a nova empresa a administrar as UPAs, mas deu pistas, afirmando que ela irá “estender a mão para Caxias”:
— Vai ser como a fênix, em meio ao caos ela vai ressurgir e vai dar vida. Pode ter certeza disso. Porque quem assumirá vai ter o compromisso com a vida das pessoas. Podem ter certeza e me cobrem disso.
Nos bastidores, fala-se na Fundação Universidade de Caxias do Sul (Fucs), que já administrou a UPA Zona Norte em um período emergencial, com resultado muito elogiado. A saída ocorreu somente devido à necessidade de uma licitação para a gestão do espaço.
A probabilidade é reforçada pela declaração de Adiló, na reunião de segunda, de que se estudava formas legais de a Fucs assumir o contrato, embora ela tivesse ficado na quarta colocação da licitação. Para além das questões legais, no entanto, também se discutia um reajuste nos valores.
Nova gestão do Hospital Geral
Outra informação que circula nos bastidores é de que o município aguardava a definição da nova gestão do Hospital Geral, mantido pela Fucs. Com a saída de Izar Muller Behs, no dia 12 de maio, um dos nomes mais fortes para assumir o cargo era da ex-secretária da Saúde Danielle Meneguzzi, que foi confirmada nesta terça-feira (2).
A avaliação é de que ela pode ser a pessoa a conduzir a implantação do serviço nas unidades do município. Por já ter passado pela pasta da Saúde, Daniele tem conhecimento da realidade das UPAs.



