
Dois dias depois da publicação da portaria designando à Infraero a administração do aeroporto Hugo Cantergiani, em Caxias, ainda há mais perguntas do que respostas. Há questões importantes a serem esclarecidas sobre a sustentabilidade do negócio. Entre eles, a forma de remuneração da estatal e o período de contrato. O ponto é fundamental para o volume de investimentos a serem realizados no complexo.
O mundo ideal é que a Infraero embolse as receitas operacionais do aeroporto — na faixa dos R$ 4 milhões anuais em 2023 — e, com esses recursos faça as intervenções necessárias. As mais urgentes são as exigidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para cumprir as normas do setor e possibilitar a ampliação de voos. A questão é que a vida útil do Hugo Cantergiani, ao menos com voos de carreira, está se esgotando devido à construção do aeroporto de Vila Oliva.
São questões que serão tratadas no período de transição de quatro meses, com as primeiras conversas previstas já para a próxima quarta-feira (17), quando o presidente da Infraero, Rogério Barzellay, deve estar na cidade. Por ora, a ordem é seguir com o planejamento anterior, inclusive os trâmites para a licitação da ampliação terminal de passageiros com R$ 6 milhões destinados pelo Estado. Se a Infrero assumir essa intervenção, o município terá que negociar uma nova destinação para o recurso.
Por enquanto, as informações obtidas pela administração municipal são de que a estatal vai assumir os contratos operacionais do aeroporto e o período de transição vai envolver levantamentos econômicos, planos de investimento, diagnóstico operacional e capacitação de equipes.
O consenso é de que a medida é bem-vinda, já que a Infraero tem experiência em gestão aeroportuária e alivia a gestão municipal dessa responsabilidade.
Surpresa
Tão surpreendente quanto a Infraero decidir assumir o aeroporto é a prefeitura ter sido pega desprevenida com a decisão. As negociações não vinham evoluindo bem nos últimos meses, segundo integrantes da administração. Os motivos foram diversas idas e vindas e dificuldades apontadas pela direção da estatal. Em maio, a prefeitura "jogou a toalha" sobre a questão e resolveu encaminhar as ações necessárias por meios próprios.
As negociações, contudo, nunca foram formalmente encerradas e claramente houve um desalinhamento na conversa. Em Brasília, a percepção a respeito das conversas não era condizente com a avaliação da administração municipal.
Em contato com a coluna, uma fonte da Infraero disse que as informações a respeito da não evolução das negociações podem estar "desatualizadas e não corresponderem à realidade". Quem participou das articulações também afirma que, embora lentas, a proposta sempre esteve de pé. Na última semana, o município teve a primeira sinalização de que o negócio seria firmado.
Na avaliação do secretário de Trânsito, Elói Frizzo, a troca de ministro também pode ter contribuído para a decisão no momento. Não há certeza em relação a isso. O fato é que o titular da pasta de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, foi Secretário Nacional de Aviação Civil até o ano passado. É o setor do governo federal que mantém relações com Caxias para a construção do aeroporto de Vila Oliva.
No fim das contas, a notícia é boa, mas obriga o município a refazer os planos.
Respiro
Do ponto de vista político, o acordo com a Infraero é um respiro para o governo Adiló, que enfrentou, nas últimas semanas, revezes em sequência em diversos projetos.
O fim do contrato com o Ideas para a gestão das UPAs também ajuda a estancar uma crise, embora o contrato com o Mão Amiga seja de 90 dias e ainda seja necessário definir os próximos passos.



