
A série de revezes dos últimos meses enfrentados pelo governo Adiló tem aumentado a pressão da oposição. A situação financeira, o prejuízo milionário da Codeca em 2025, a dificuldade em encaminhar obras e as idas e vindas em projetos já anunciados à população são alguns dos itens listados e que desgastam o governo.
Nesta quinta-feira (21), a revelação, pelo Pioneiro, de que há uma projeção de déficit de R$ 1,5 bilhão na PPP da Educação, a paralisação de profissionais das UPAs (com atendimento apenas de casos graves) e a penalização da concessionária Luz de Caxias foram os elementos mais recentes desse caldeirão.
A indignação tem extrapolado os discursos e se manifestado na prática em uma enxurrada de pedidos de informação, apresentados principalmente pelas bancadas do PT, PL e PCdoB. Neste ano, já são 18, enquanto ao longo de 2025 foram seis. O mais recente foi aprovado nesta quinta e questiona o cálculo da tarifa do transporte coletivo.
Integrantes da oposição classificam a situação atual como o "pior momento do governo Adiló" e justificam a apresentação dos pedidos de informação pela falta de encaminhamentos das demandas apresentadas. E mais pedidos estão em elaboração, entre eles um em relação à Codeca. Parlamentares consideram que a convocação do diretor-presidente da empresa não apresentou respostas adequadas.
As próprias convocações, aliás, são outra ferramenta utilizada. Após Balbinot e o secretário de Gestão e Finanças e da Receita, Micael Meurer, a articulação é pela convocação da secretária da Cultura, Tatiane Frizzo, para explicar o impacto do corte de gastos na área.
Desgaste
Pedidos de informação não costumam ter efeitos práticos, mas são um instrumento legislativo capaz de desgastar o governo. E têm conseguido. Como resposta, a base governista já se articulou para barrar dois requerimentos. O primeiro foi um pedido da vereadora Rose Frigeri (PT) a respeito do táxi-lotação.
A justificativa do líder de governo na Câmara, Calebe Garbin (PP), foi de que já havia um pedido semelhante do vereador Capitão Ramon (PL) e que não havia mais necessidade de solicitação porque o serviço será mantido. Nesta quarta-feira (20), na sequência da sessão do dia anterior, a base derrubou a urgência de um pedido de informações sobre a assistência social.
Garbin afirma que a resposta aos pedidos demanda mobilização de servidores e que a medida tem sido adotada como "estratégia política de desgaste do governo".
"No limite"
O embate entre governo e oposição se traduziu em um clima tenso na sessão desta quinta-feira, principalmente em função dos últimos acontecimentos.
O vereador Lucas Caregnato (PT) chegou a dizer que está se chegando "no limite" e questionou a manutenção da maioria governista na Casa para os próximos anos, projetando "momentos difíceis do ponto de vista da política institucional".
Nos bastidores, fala-se em desembarque de João Uez (Republicanos) para uma possível disputa à prefeitura em 2028. Antes disso, no entanto, há as eleições de 2026, que muito podem interferir até lá.
Já a vereadora Sandra Bonetto (Novo) citou respostas a um pedido de informação sobre a PPP da Educação Infantil em que, segundo ela, o município afirmou ter realizado as adequações orçamentárias necessárias.
— O que deu errado? — questionou.
Desentendimento
A tensão extravasou no fim da sessão quando o vereador Calebe Garbin — abordando o déficit projetado para a PPP da Educação — esgotou os 10 minutos destinados à declaração de líder das bancadas e solicitou o mesmo tempo adicional como líder do governo. O parlamentar argumentou a existência da regra — nunca antes utilizada nesta legislatura — no Regimento Interno.
O pedido foi negado e Garbin pediu que o plenário decidisse a questão. A oposição, porém, negou-se a votar, ainda que alguns vereadores tenham permanecido ao lado da Mesa Diretora.
Em meio à discussão, Hiago Morandi (Novo) solicitou declaração de líder da oposição — figura inexistente na Câmara. Também negada, a questão também foi a plenário por solicitação de Cláudio Libardi (PCdoB), sem sucesso.
O episódio gerou bate-boca como há tempos não era registrado na Casa.





