
A reavaliação dos controladores eletrônicos de velocidade será uma das primeiras atribuições de Elói Frizzo como secretário de Trânsito de Caxias do Sul. Como revelado por ele mesmo em entrevista ao programa Gaúcha Hoje, da Gaúcha Serra, a tarefa foi uma encomenda do prefeito Adiló Didomenico diante das reclamações de motoristas autuados, por vezes em mais de uma oportunidade.
Frizzo deixa claro que tem autonomia para "revisar até a própria colocação de algum controlador". Ou seja, entre levantamento de dados de autuações, redução de acidentes e impacto da sinalização, é possível até mesmo que algum aparelho seja retirado.
Ainda que a medida passe por avaliação técnica — e Frizzo promete conduzir o processo com participação de especialistas da pasta —, trata-se de um movimento político da cúpula da administração municipal para tentar reduzir o desgaste causado na imagem do governo. Radares de velocidade são medidas impopulares e sempre geram prejuízos políticos em alguma medida, ainda que sejam necessários para coibir excessos.
A pressão sobre os radares ocorre principalmente em função de motoristas que sofreram diversas autuações, sob o argumento de que não sabiam dos controladores e não viram a sinalização. Não por acaso, os pontos ganharam pintura no asfalto no início do ano.
Chama a atenção, porém, uma reavaliação desse processo, uma vez que se pressupõe que a própria instalação tenha passado por análise criteriosa, ainda que ajustes sempre sejam possíveis.
Uma revogação completa da medida, no entanto, parece improvável, já que a atual administração implantou os controladores e passaria uma mensagem contraditória. Além disso, seria sucumbir à pressão de uma cidade excessivamente motorizada enquanto medidas como ciclofaixas seguem esquecidas.
Aliás
O reforço na sinalização dos pardais é adequado e necessário, considerando o contexto da sociedade brasileira.
Cabe refletir, porém, que se trata de uma admissão, por parte do poder público, de que os motoristas excedem a velocidade e ainda exigem ser avisados para evitar penalidades previstas na legislação.
É preciso evoluir no sentido de que os condutores respeitem os limites de velocidade sem se preocupar com os controladores, o que, em tese, é obrigação de qualquer pessoa habilitada.
Ônibus na Júlio
Defensor da ideia de utilizar a Avenida Júlio de Castilhos como corredor de transporte coletivo, Frizzo pediu à Secretaria do Planejamento que a proposta seja incorporada no concurso de arquitetura que será contratado para elaborar um projeto de revitalização para a via.
Do ponto de vista de trânsito, a avenida tem um projeto recente, previsto no Plano de Mobilidade (Planmob), que propõe o fechamento de uma das pistas das quadras centrais e tráfego apenas para acesso local. É um planejamento que vai na contramão da ideia do secretário, embora não precise ser obrigatoriamente implantado.
Conceitos mais atuais de urbanismo também consideram vias com as características da Júlio como espaços prioritários de circulação a pé, exatamente como o proposto no Planmob. Resta saber qual visão urbanística os responsáveis pelo futuro projeto vão priorizar.
Posse

Frizzo assumiu a Secretaria de Trânsito na manhã desta segunda-feira (6) em ato na própria sede da pasta.
A transferência de cargo teve a presença do prefeito Adiló Didomenico, do vice Edson Néspolo e do presidente da Câmara, vereador Wagner Petrini (PSB). Também participaram o secretário-adjunto, Alfonso Willenbring, e o ex-secretário, o vereador Elisandro Fiuza (Republicanos), além de servidores da secretaria.
Frizzo disse ter como desafio "destrancar a cidade".




