Demorou para a prefeitura de Caxias adotar uma ação prática contra as faltas em consultas e exames da rede pública de saúde, mas ela finalmente ocorreu. A partir da publicação de um decreto nos próximos dias, quem não comparecer ao serviço agendado sem avisar será excluído da fila. Ou seja, terá que reiniciar o atendimento na unidade básica de saúde (UBS) para que haja novo encaminhamento, sem direito à prioridade.
Não significa que, por um imprevisto, seja impossível reagendar o atendimento. O foco está em quem simplesmente não aparece, que mobiliza a estrutura pública (e dinheiro) para obter o serviço e o trata com indiferença. É uma questão, portanto, de coletividade e é em benefício dela que existem as leis e o poder público. Deveria, ao menos.
No ano passado, vários serviços de saúde pública superaram os 20% de ausência. Raio-x odontológico, por exemplo, chegou a 28%. É um número insustentável.
A medida a ser aplicada em Caxias até não é tão dura se comparada a outras cidades brasileiras. Em alguns lugares, o cidadão que falta a uma consulta ortopédica, por exemplo, fica até seis meses sem possibilidade de agendar atendimentos dessa especialidade.
É claro que a colaboração não precisa partir apenas do cidadão. Cabe ao poder público garantir que o serviço funcione em todas as instâncias. Nesse sentido, é urgente a redução das filas para níveis aceitáveis e oferecer uma estrutura que ofereça facilidade e seja condizente com a necessidade do cidadão.
A secretaria da Saúde tem demonstrado esforços em direcionar recursos de emendas para viabilizar atendimentos represados. A plataforma digital que vai resultar no agendamento de consultas pelo aplicativo Meu SUS Digital também está em fase de implantação. É um começo. Se o município cumprir minimamente com a sua parte, faz sentido cobrar que o cidadão faça o mesmo. Pelo bem da população.






