
Ainda que o Estado avalie desde o ano passado inserir o Samae em um projeto de concessões, que esse programa tenha sido anunciado no último dia 30 e que o Piratini não pareça disposto a detalhar os planos nesse momento, esses fatores não explicam, sozinhos, a dimensão que o debate sobre o futuro da autarquia tomou nos últimos dias. As eleições também são um elemento relevante para a reverberação do tema, o que não chega a surpreender, mas não pode ser ignorado.
O assunto foi levantado nas últimas semanas pelo vereador João Uez (Republicanos), opositor declarado do governador Eduardo Leite e apoiador de Luciano Zucco (PL) para o governo do Estado — o Republicanos, inclusive, integra a aliança pela pré-candidatura. Considerando o apreço dos caxienses pelo Samae, a incerteza sobre o futuro da autarquia tem potencial de desgastar o governo estadual no segundo maior colégio eleitoral do Estado. Em ano eleitoral, é uma oportunidade que a oposição não vai desperdiçar.
Atrelado a isso, dentre todos os deputados estaduais caxienses que terão de votar o projeto do Piratini na Assembleia, o mais lembrado é Neri, o Carteiro (PSD). O parlamentar é aliado de primeira hora de Eduardo Leite e tem sido cobrado por ter votado favorável à privatização da Corsan. Além disso, não é segredo que Uez e Neri têm desavenças desde as articulações para a composição da chapa para a reeleição de Adiló, que definiu Néspolo como vice, em detrimento de Uez.
Neri chegou a ser citado por Uez nos discursos da Câmara como alguém que anda "para um lado e para o outro" com Leite, sem ter o nome citado.
Nesta quinta-feira (9), Neri reagiu. Em nota e nas redes sociais, o parlamentar se disse contra a privatização do Samae e afirmou que "a polêmica surgiu a partir de uma distorção proposital criada para confundir a população". A nota também menciona "insinuações maldosas, presunções levianas e acusações irresponsáveis".
A campanha já está na rua.
Sem privatização
Na publicação, Neri afirma que o estudo contratado pelo Estado é para uma proposta de contratação de serviços de saneamento para auxiliar os municípios e que, se for apresentado algum modelo a Caxias, caberá à prefeitura e à Câmara decidirem pela adesão ou não do município.
Tanto os vereadores quanto o prefeito Adiló Didomenico já se posicionaram contrários a qualquer mudança no modelo do Samae.





