
O tamanho da fila do supermercado ou de um show dependem da quantidade de atendentes para dar conta da quantidade de clientes e espectadores. Da mesma forma, os congestionamentos nas cidades não são resultado direto apenas da quantidade absoluta de veículos e, sim, da relação entre esse volume a capacidade das vias urbanas de comportá-los.
Os números de crescimento da frota de Caxias revelados na reportagem do colega Bruno Tomé, publicada no Pioneiro desta quinta-feira (16), são alarmantes. Cerca de 60 mil veículos saíram das concessionárias para as ruas da cidade em 10 anos. Em 19 anos, a frota cresceu 89%, atingindo 358 mil emplacamentos na cidade. Não entram aqui carros de cidades vizinhas que circulam por Caxias, ou veículos de quem se mudou de outro município para cá.
Para dar conta desse ritmo frenético, só há duas maneiras: ampliar a infraestrutura ou reduzir o ritmo de aumento e uso da frota. Melhor ainda se ambos foram combinados. Acontece que Caxias não fez nem um, nem outro nos últimos anos.
A última ação no sentido de melhorar estruturalmente o transporte coletivo completou exatos 10 anos nesta quinta-feira. Foi o SIM Caxias, que resultou na integração das linhas no eixo leste-oeste. Nesse período, o eixo norte-sul, com três novas estações de transbordo, permaneceu na fase de planejamento.
E a ampliação de infraestrutura? Nada. Agora as ações começam a ficar mais concretas no sentido de construção de viadutos e estruturas mais robustas. As soluções de sinaleiras e rotatórias chegaram ao limite, é preciso mais. Só isso custa caro e também tem limitações. Toda rua aberta ou ampliada tende a ser rapidamente ocupada. Então é preciso superar o lobby do carro e olhar além.
O Plano de Mobilidade (Planmob) prevê inúmeras ações em outros modais, como bicicletas. O planejamento aponta até mesmo formas de como vencer o relevo desafiador de Caxias e poderia fomentar atividades de compartilhamento de bicicletas e patinetes, por exemplo. Nada, segue no papel. Sem olhar para outras formas de deslocamento, será impossível destravar a cidade.
Frente por tarifa zero
Do ponto de vista do transporte coletivo, uma discussão que começa a ganhar força no país é o Sistema Único de Mobilidade (SUM), que prevê transporte gratuito custeado pelos três entes federativos. A fonte dos recursos, porém, ainda é a grande incógnita.
Para entrar nesse debate, a Câmara de Caxias aprovou, nesta quinta-feira (16), a criação de uma frente parlamentar em defesa da tarifa zero. A proposta é da vereadora Rose Frigeri (PT).

