
A Associação Caxiense de Táxi-Lotação pretende encaminhar ofício à Secretaria de Trânsito de Caxias para que o serviço seja mantido. É uma medida ao alcance de quem ainda vive do serviço, mas que, considerando os encaminhamentos até agora, dificilmente trará algum resultado.
A aprovação unânime do Conselho de Mobilidade para a extinção do serviço tem caráter consultivo, ou seja, o colegiado não tem o poder de impor as decisões que toma. O entendimento favorável, contudo, foi construído com base em pareceres da Advocacia-Geral do Município (AGM) e da secretaria. O apoio do conselho, portanto, reforça e legitima uma decisão já tomada pelo município.
De fato, o fim dos táxis-lotação já estava anunciado há algum tempo. Nem mesmo a legislação que autoriza a atividade era seguida, já que ela prevê tarifa 20% maior em relação ao transporte coletivo e renovação de frota.
O curioso é que a legislação chegou a ser renovada em 2019 como condição para o lançamento de uma nova licitação, o que acabou nunca ocorrendo. Em anos anteriores, os certames lançados acabaram suspensos pela Justiça.
Esses são apenas alguns dos impactos sofridos pelo serviço. Assim como qualquer sistema de transporte, a pandemia causou prejuízos ainda não recuperados. Além disso, o sistema não conta com o socorro do subsídio, como ocorre nas linhas convencionais.
Como está, é impossível manter os táxis-lotação. Mas o fim do serviço não é motivo de comemoração, já que ocorre justo no momento em que a cidade precisa de opções de transporte. Dificilmente uma adequação de linhas do transporte coletivo atenderá aos passageiros da mesma forma. Em alguns casos, talvez seja mais um incentivo para o uso do carro.


