
Procurar defeitos na Festa da Uva é, há algum tempo, uma atividade que caiu no gosto do caxiense. A cada edição, pipocam manifestações no sentido de que há pouca novidade nos pavilhões, o trânsito é ruim ou o desfile não agradou — para ficar em alguns exemplos.
São críticas que, no fundo, parecem esconder uma genuína torcida para que a festa seja cada vez melhor. E, de fato, é importante um atrativo agradar ao público local para que possa, então, se estender a quem é de fora.
A Festa da Uva 2026, porém, termina com a marca da relevância para a cidade que muitas vezes a população insiste em não perceber — e que esteve em declínio, é verdade, por fatores internos e externos, em edições anteriores. Ao todo, 425 excursões estiveram na cidade, com visitantes que se programaram, desembolsaram, viajaram horas para estar aqui e saíram satisfeitos.
Não é pouca coisa. São lembranças de Caxias sendo levadas aos mais diversos cantos — incluindo, veja só, países como Paraguai, Uruguai, Estados Unidos e Japão — e que podem viabilizar novas viagens no futuro.
A relevância também ultrapassa os limites de Caxias, basta ver os estandes de municípios que enxergam no evento a oportunidade de atrair visitantes, como Encantado e até alguns já consolidados como Machadinho e Itá (SC).
Retomada
O caráter de retomada da edição de 2026 ficou claro no discurso de Adiló Didomenico durante o encerramento. O prefeito de Caxias lembrou que foi a primeira festa ocorrida após a tragédia climática de 2024, que afetou duramente o interior do município.
— Não se faz Festa da Uva sem a força do interior — afirmou.
Adiló também lembrou da edição de 2022, realizada ainda sob os efeitos da pandemia, e a de 2024, ocorrida após as enchentes de 2023 e que resultaram em perda de patrocinadores a poucos meses do evento.
A propósito
Questiona-se a cada edição a destinação de recursos públicos para a Festa da Uva — R$ 6 milhões para 2026. O mundo ideal, de fato, é que o evento seja autossustentável.
Para se chegar lá, porém, é preciso um plano estruturado, de longo prazo, e não uma mudança radical como se tentou implantar em 2019 e que resultaram em um encolhimento da festa.
Até lá, a ajuda da prefeitura é o que garante a realização do evento e, consequentemente, viabiliza os ganhos dos expositores que apostam na programação para incrementar as vendas. O prejuízo ao município de não ter a Festa da Uva sem dúvida seria bem maior.
Condecorado

O presidente da Festa da Uva, Fernando Bertotto, recebeu a Medalha Monumento Nacional ao Imigrante. Trata-se da maior condecoração concedida pelo município e destinada a pessoas que prestaram serviços relevantes à comunidade. A entrega, pelo prefeito Adiló Didomenico e pelo vice, Edson Néspolo, ocorreu durante o ato de encerramento da programação, neste domingo (8).
Bertotto presidiu as festas de 2022, 2024 e 2026 e se despediu do cargo na cerimônia. Ele se tornou o presidente a conduzir o maior número de edições e já havia anunciado que essa seria a última no discurso de abertura. A troca efetiva, porém, deve ocorrer na metade do ano, após a entrega da prestação de contas.
Adiló e Néspolo, porém, disseram que contam com algum auxílio de Bertotto para a festa de 2028.





